Até então, uma das medidas mais relevantes, no sentido de manter os militares longe da política, foi a criação do ministério da Defesa e a transformação dos antigos ministros do Exército, Marinha, Aeronáutica (e estado-Maior) em comandantes das suas respectivas forças. A partir deste momento, os oficiais ganharam um interlocutor à paisana no diálogo com o mundo político. Hoje, esse interlocutor é um general do Exército, mas isso não foi suficiente para o presidente encontrar na antiga tropa o respaldo pretendido.

Neste caso, para um apoio mais incondicional, a saída para Bolsonaro seria procurar, entre os oficiais do Alto Comando, oficiais de quatro estrelas disposto a assumir o risco, em substituição aos atuais comandantes. Seria uma exceção inédita, que abriria caminho para o perigoso aparelhamento político das Forças Armadas.

No momento em que se vê Bolsonaro a frente de caminhadas até o Supremo e protestos na porta do quartel-general do Exército, os militares se tornaram, mais uma vez, os garantes da situação, renovando diante dos olhares desconfiados dos críticos o respeito à Constituição diante do modus operandi do Bolsonaro, um político intuitivo que age por meio de provocações frequentemente “no limite”, como sustenta o historiador Carlos Fico.