21 maio 2020

Defesa de Queiroz soube de relatório na PF ainda em fase sigilosa de investigação, diz jornal.

Marinho prestou depoimento sobre o caso na quarta-feira (20) à Polícia Federal. Nesta quinta (21), ele depõe ao Ministério Público Federal. O empresário afirma que Flávio Bolsonaro foi avisado com antecedência sobre a deflagração daquela operação, que ocorreu em novembro de 2018.

Vazamento em agosto de 2019

Agosto de 2019, data do outro suposto vazamento, foi o mesmo mês em que o presidente Jair Bolsonaro tentou trocar o comando da Polícia Federal no Rio.

O então chefe da superintendência da PF no estado, Ricardo Saadi, foi demitido. O presidente cobrou publicamente a troca e tentou emplacar um nome de sua escolha, mas não conseguiu.

Segundo a Folha de S. Paulo, o então advogado de Queiroz, Paulo Klein, pediu acesso ao inquérito da PF. A GloboNews conseguiu a cópia do relatório da juíza Adriana Cruz negando o pedido do advogado, de acesso integral aos autos.

Em sua decisão, a magistrada justificou que Fabricio Queiroz “não figura como investigado ou indiciado no presente procedimento, portanto é incabível a pretendida vista integral dos autos requerida”.

E concluiu: “Mas para que não se alegue qualquer espécie de cerceamento, deverá a secretaria providenciar cópia do relatório de inteligência financeira [em que Queiroz está citado], ocultando as informações referentes a outras pessoas”.

O relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) a que Queiroz teve acesso é o mesmo entregue à Operação Furna da Onça.

Vazamento em outubro de 2018

O empresário Paulo Marinho é suplente de Flávio Bolsonaro no senado e atual adversário político. Foi um dos principais apoiadores de Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial.

Ele contou em entrevista, publicada no domingo (17) pela Folha de São Paulo, ter ouvido do próprio Flávio que um delegado da PF vazou a operação Furna da Onça, que investigou e prendeu em novembro de 2018 deputados estaduais do Rio que recebiam propina no esquema de corrupção do ex-governador Sérgio Cabral.

O então deputado estadual Flávio Bolsonaro não era alvo dessa operação, mas investigadores receberam informações do Coaf, com movimentações atípicas do PM aposentado Fabrício Queiroz, assessor dele na época.

Uma das suspeitas que passaram a ser investigada depois pelo Ministério Público estadual era de “rachadinha” – esquema em que assessores devolvem parte dos salários aos parlamentares.

Marinho diz que Flávio contou o episódio ao pai e que Jair Bolsonaro, então deputado federal, pediu que demitisse o Queiroz e a filha dele, que era contratada da Câmara de Deputados, também.

Os dois foram exonerados no mesmo dia, com publicação no Diário Oficial do estado e da União.

O que dizem os citados

O advogado que defendia Queiroz em agosto do ano passado não quis comentar a nova denúncia.

A equipe de reportagem não conseguiu contato com Queiroz.

Em nota, o gabinete de Flávio Bolsonaro, do Republicanos, disse que o senador nunca teve qualquer acesso a informações privilegiadas e desconhece vazamentos na PF.

Segundo Flávio Bolsonaro, quem faz esse tipo de acusação contra a PF não sabe do que está falando ou quer manchar a reputação da polícia. Nas palavras do senador, “os delegados e policiais federais merecem respeito, algo que Paulo Marinho parece desconhecer”.

Flávio Bolsonaro reafirmou que Marinho faz acusações falsas e com objetivos políticos. Ainda segundo a nota, como Paulo Marinho é suplente, quer derrubar Flávio Bolsonaro para ocupar uma vaga no Senado sem ter passado pelo crivo das urnas.

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Reinhard Allan Santos