17 maio 2020

Limite para empresas brasileiras suportarem um lockdown não passa de 27 dias, alerta especialista.

São Paulo seguirá com seus 30% de queda na arrecadação de tributos e Pernambuco poderá ter mais de 50%

Setor aéreo perto de um colapso, algumas exportações caindo, comércios de portas fechadas, razoavelmente indústrias paralisadas, PIB em declínio, essas e outras situações já são reflexos do lockdown imposto em alguns países e, também, em cidades e Estados brasileiros como medida de combate ao novo coronavírus. O especialista em Finanças e Mercado Financeiro, da Fipecafi, instituição ligada à FEA-USP, George Sales, diz que o maior problema para aguentar muito tempo as medidas rígidas de isolamento é a falta de circulação de caixa, que afetará diretamente os trabalhadores. “ As empresas conseguem se manter na medida em que elas conseguem ter fluxo de dinheiro para movimentar seus recebimentos e pagamentos, ou seja, elas têm que antecipar seus recebimentos e postergar seus pagamentos. O limite das companhias para suportar este apagão, aqui no Brasil,  é de no máximo 27 dias”, alerta.

No Brasil, são mais de 18 cidades que já adotaram a medida restritiva mais dura. O Estado do Maranhão foi o primeiro a impor, como forma de evitar o colapso no sistema público de saúde, além, de alguns municípios do Ceará e Pará. Para o especialista, a restrição quando imposta em diferentes momentos e, também, de acordo com o número de cidades que adotam, as consequências econômicas não serão iguais. “No Pernambuco, por exemplo, certamente irá ter um prejuízo muito além do que 50% de queda na arrecadação. Já no estado de São Paulo a expectativa é que os danos alcancem a marca de 30%”, conta.

Ao comparar duas crises históricas que o mundo e o Brasil enfrentaram e enfrentam, o especialista explica que as razões e as formas de sobressair são diferentes. “A situação de 2008 foi oriunda de um risco de crédito no setor imobiliário. Algo que afetou os bancos, investidores, construtores, imobiliárias e seguradoras. Já a situação da pandemia tem uma razão mais drástica, como a falta de liquidez, já que as pessoas em casa não conseguem fazer circular o dinheiro. E, com isso, está afetando a todos os segmentos e mercado ao mesmo tempo. A atual situação  é muito pior que a última”, declara.

Segundo o especialista, os países que aderiram o lockdown já vão colaborar com o número previsto de redução do PIB mundial entre 1% ou 2%. Já no Brasil, os Estados e municípios que já entraram com a medida radical de isolamento social, ou ainda irão adotar, devem contribuir com a estimativa do Governo Federal da queda de até 5% do PIB nacional.

Sales explica que quando a pandemia passar e a economia começar a se movimentar novamente, mesmo assim as pessoas estarão traumatizadas e as aglomerações não serão bem-vistas. “A maior solução para as empresas, para manter o trabalho e a recuperação econômica, está nas mãos da medicina. Ou seja, por meio de um medicamento ou vacina. Voltar ao normal é uma palavra muito forte. Mas, o giro das atividades econômicas será melhor se houver protocolos de segurança, de distanciamento social nos ambientes de trabalho e comerciais, reajuste tributáriomedidas estatais para recuperação das companhias e, também, a continuação do auxílio emergencial”, diz.

Sobre a Fipecafi
A Fipecafi foi fundada em 1974 por professores do Departamento de Contabilidade e Atuária da FEA/USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo) e atua desde então como órgão de apoio institucional ao departamento. Dentre seus principais objetivos estão: a missão de desenvolver e promover a divulgação de conhecimentos da área contábil, financeira e atuarial, organizar cursos, seminários, simpósios e conferências, prestar serviços de assessoria e consultoria e realizar pesquisas, atendendo entidades dos setores público e privado. Mais informações: https://fipecafi.org/

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Reinhard Allan Santos