17 maio 2020

Empresas optam por honrar impostos para evitar problemas posteriores.

Segundo pesquisa, apenas 10% das clínicas médicas decidem adiar compromissos e 17% adotaram alguma redução da carga horária ou encerramento do contrato de trabalho

A maioria dos empresários não optou pelo adiamento dos impostos proposto pelo governo como forma de minimizar o problema de caixa durante a pandemia do Covid-19. Ao menos é o que demonstra o setor de saúde. De acordo com pesquisa realizada pela DOC Concierge, empresa de serviços financeiros para médicos, que abrangeu quase 200 clínicas e consultórios de todo o país, somente 10% dos gestores optaram pelo benefício.

Não há um levantamento preciso de quantas clínicas e consultórios existem no Brasil, que conta com cerca de 450 mil médicos. Entretanto, sabe-se que esse mercado é bastante pulverizado, o que demonstra a fragilidade do setor. “A crise representou para este segmento uma forte contração das receitas. Com a quarentena, caiu pela metade o número de consultas mensais na comparação com o mesmo período do ano passado. Há dois movimentos, o próprio paciente deixa de marcar o seu acompanhamento de rotina por medo de sair de casa e os próprios médicos têm restringido a agenda para evitar que haja muitas pessoas na sala de espera ou qualquer aglomeração”, ressalta o diretor contábil da Doc Concierge, Claudio Granero.

Mesmo assim, 90% das clínicas e consultórios estão mantendo os impostos em dia por medo de adiar o desembolso e não ter recursos para honrar com o compromisso. “A baixa adesão está relacionada ao medo do futuro. O adiamento não significa anistia. Assim, mesmo com as margens apertadas, a opção majoritária é honrar o compromisso agora”, explica Granero.

A maioria das clínicas e consultórios que participaram da pesquisa da DOC Concierge também declarou não ter reduzido os encargos trabalhistas. O levantamento identificou que apenas 17% dos consultórios e clínicas adotaram alguma redução da carga horária ou encerramento do contrato de trabalho. A decisão está relacionada à expectativa de que o movimento retorne ao normal gradativamente e à dificuldade de realizar novas contratações, pois este tipo de mão de obra exige uma relação de confiança entre o médico e o atendente.

De acordo com o especialista, apesar de a maioria das PJs do segmento não ter um colchão de liquidez para momentos como esse, o corte de custos tem ocorrido em outras frentes que envolvem até mesmo a redução de despesas pessoais dos próprios médicos. Há também a busca pela recomposição de receita. “Os médicos que têm clínica própria ampliaram seu atendimento em hospitais para compensar a perda de receita em seu consultório. Ao mesmo tempo, alguns estão realizando consultas através do teleatendimento nas situações em que ele é indicado, seguindo todas as recomendações para alcançar os melhores resultados”, afirma.

O governo prorrogou, por 6 meses, o prazo para pagamento dos tributos federais no âmbito do Simples Nacional, relativos aos períodos de março, abril e maio para outubro, novembro e dezembro. Foi autorizado também o adiamento e pagamento parcelado do depósito do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) dos trabalhadores. O pagamento poderá ser feito só a partir de julho, em 6 parcelas fixas. Foram adiados ainda o PIS, PASEP, COFINS e da contribuição previdenciária patronal de empresas e empregadores de trabalhadores domésticos. O vencimento de abril e maio 2020, relativo às competências de março e abril, passou para agosto e outubro 2020.

Compartilhe esta notícia:
Reinhard Allan Santos