8 abr 2020

De todos os assaltos registrados em São Paulo, 63% são de celulares.

Erros no preenchimento de dados fazem com que um terço dos boletins de ocorrência sejam rejeitados

(Crédito: Divulgação)

A cada hora, 13 celulares são roubados ou furtados em São Paulo. Nos quatro primeiros meses de 2019, o total de crimes na categoria foi de 38.080 casos, sendo 27.949 aparelhos roubados e 10.131 furtados, de acordo com dados da SSP (Secretaria da Segurança Pública). Os roubos de celulares correspondem a 63% dos casos. Em 2020, o número de casos caiu 56% depois da adoção da quarentena.

Se comparados os primeiros quatro meses de 2018 com o índice do ano passado no mesmo período, há uma alta de 20% de roubos e 37% de furtos.

Desses crimes, um terço das denúncias feitas pela internet, através da Delegacia Eletrônica, na Secretaria da Segurança Pública, é rejeitada pelo governo paulista. De acordo com dados obtidos pelo jornal Folha de S.Paulo, via Lei de Acesso à Informação, entre o início de 2015 e junho de 2019, 305.202 registros foram reprovados, diante de 75.571 aprovações – isso equivale a uma rejeição por minuto.

O período com o maior número de reprovações aconteceu no início de 2018, quando chegou a 34%. Ao fim do período, 69.186 furtos foram reprovados, contra 120.329 aprovados, e, com os roubos, as taxas foram de 19.205 reprovações e 54.557 aprovações.

Os critérios para a reprovação dos boletins são diversos, como o não fornecimento de dados essenciais, como o IMEI do aparelho celular e a tentativa de realizar, via internet, um boletim que deveria ser feito pessoalmente, já que necessita de exame pericial, como os roubos mais violentos. Desta forma, não há como mensurar se casos reprovados virtualmente foram refeitos nas delegacias.

Segundo o especialista em segurança pública e  professor de segurança da FGV, Rafael Alcadipani, é preciso analisar a credibilidade das estatísticas divulgadas pelos governos dos estados. “Estão, de fato, decaindo ou o sistema não está funcionando de forma a conseguir registrar bem esses crimes?”, questiona ele.

Precauções

A pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box sobre roubos de celulares mostra que cerca de 84% dos brasileiros evitam usar o aparelho enquanto estão na rua. Desta forma, 33% dos entrevistados disseram que tomam precauções em qualquer rua, mas 51% afirmam que os cuidados “dependem da rua”.

Além disso, há como obter um seguro de celular para se proteger. Mesmo assim, apenas 15% das pessoas entrevistadas têm o serviço. A taxa de contratação do serviço é maior entre os que já foram vítimas, com 19%, enquanto os que nunca foram assaltados representam 12%.

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Reinhard Allan Santos