Segundo Emerson Marçal, coordenador do Centro de Macroeconomia,  a simulação recupera os efeitos que importantes crises domésticas e externas geraram sobre a economia brasileira para estimar os possíveis efeitos oriundos da pandemia em termos de magnitude e duração.

— Premissas bem razoáveis sugerem que a crise terá um custo econômico bastante alto. Este custo será tão menor quanto mais rápido houver uma normalização nos principais mercados internacionais e quanto melhor o governo brasileiro, nos seus diversos níveis, mostrar-se capaz de gerir a crise  doméstica — explica.

Marçal ressalta, no entanto, que o cenário traçado pode ser conservador, caso os efeitos da pandemia perdurem por mais tempo. A greve dos caminhoneiros, por exemplo, teve duração de cerca de dez dias, mas o choque se prolongou por outros trimestres.

— O que vai acontecer (em 2020) dependerá da duração. Quanto mais longo for no tempo, mais tempo vai demorar para recuperar (a economia). Se isso durar muito, esse número (-4,4%) será conservador— afirma.

No melhor cenário, efeitos até fim de 2021

Segundo o estudo, no pior dos cenários, os efeitos significativos da pandemia poderão ser sentidos até 2023. No melhor, os efeitos negativos podem se dissipar a partir do final de 2021.

Nos últimos dias,  bancos e consultorias começaram a prever um resultado mais fraco da economia brasileira este ano, com chance, inclusive, de uma nova recessão por causa da pandemia de coronavírus. O JP Morgan já prevê retração de 1%, praticamente a mesa do banco Goldaman Sachs (-0,9%).

A onda de revisões deve gerar uma nova redução na média das projeções na próxima edição do Boletim Focus, do Banco Central, que reúne as estimativas do mercado financeiro para indicadores da economia.

Na última edição, publicada na segunda-feira passada, a expectativa de crescimento do PIB brasileiro era de 1,68%. Foi a quinta semana de revisão para baixo consecutiva.