12 mar 2020

Praia atingida por óleo tem aumento de até 570% em nível de compostos que podem causar câncer, diz UFPE.

De acordo com a professora de oceanografia Eliete Zanard Lamardo, no início do estudo, amostras de lama foram recolhidas na Praia da Pedra. Nelas, havia uma concentração média de 43 nanogramas de hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs) por grama. Esses níveis, depois do desastre, tiveram aumento considerável, segundo ela.

“Encontramos uma média de 142 nanogramas por grama, na areia, no ponto de maré mais alta. É um aumento de 230% em comparação com a amostra de 2014. Em um dos casos, chegamos a registrar uma amostra com 290 nanogramas de HPAs por grama, que é 570% maior do que a média de 2014. São dinâmicas diferentes, porque analisamos primeiro lama e, depois, areia, que não costuma reter substâncias tanto quanto a lama. Ainda assim, o aumento foi grande”, afirmou a pesquisadora.

Os HPAs são compostos orgânicos que, se encontrados em níveis alarmantes, podem causar problemas que vão desde câncer a mutações genéticas e alterações no sistema endócrino. Segundo a pesquisadora, os níveis dos hidrocarbonetos já eram investigados por questões estratégicas.

“Os HPAs geralmente são encontrados quando há combustão ou, mais comumente, contato com óleo. Escolhemos Rio Formoso por ser uma região turística e, com ferramentas de detecção, vimos que, em 2014, a contaminação ocorria por causa da queima de cana-de-açúcar. Mas, agora, a quantidade que observamos é bem mais alta”, explicou.

Rio Formoso, apesar de não constar na lista do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de cidades atingidas pelo derramamento de óleo, está na relação de localidades afetadas.

A primeira, no entanto, é o critério para o recebimento do auxílio do governo federal, concedido a pescadores afetados pelo desastre (veja vídeo abaixo).

Governo confirma que pescadores afetados por óleo nas praias receberão auxílio

Governo confirma que pescadores afetados por óleo nas praias receberão auxílio. (Clique e assista ao vídeo)

Ainda segundo Eliete Zanard Lamardo, a pesquisa é uma forma de demonstrar que, apesar de não serem níveis alarmantes, o local foi afetado pela crise ambiental.

“Não temos como saber, tão cedo, os efeitos da exposição aos HPAs, porque isso muda de organismo para organismo. Os peixes, por exemplo, podem estar tirando de letra algo que os caranguejos, não. Antes, tínhamos um índice baixo de contaminação. Agora, temos algo que varia entre baixa e moderada contaminação”, declarou.

Questionado pelo G1 sobre os motivos que deixaram Rio Formoso fora da lista de municípios afetados pelo desastre, o instituto informou que “a localidade de Rio Formoso teve avistamento no dia 15 de outubro de 2019 e apresentou status ‘óleo não observado’. Desse modo, significa que a localidade recebeu visita técnica contudo não detectou vestígios do óleo”.

DESASTRE

No fim de outubro de 2019, o governo de Pernambuco informou que, em 14 dias, havia recolhido 1.546 toneladas de óleo no litoral.

Ainda de acordo com o estado, a substância atingiu em 47 praias e oito rios, desde o dia 17 de outubro. O material recolhido foi entregue ao Centro de Tratamento de Resíduos Pernambuco, em Igarassu, no Grande Recife.

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Reinhard Allan Santos