Após frisar mais de uma vez a capacidade da China de enfrentar a infecção, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus,  disse que a medida era necessária para ajudar os países pobres e médios a conterem a propagação do vírus.

O medo dos prejuízos para a economia ficou evidente. Ghebreyesus condenou países que têm “tomado medidas restritivas pouco apropriadas”. A OMS destacou no texto da declaração que países que “significativamente interferirem” com o trânsito internacional — “recusarem a entrada ou a saída de viajantes, bagagens, cargas, mercadorias ou provocarem atrasos de mais de 24 horas” —  serão obrigados num prazo de 48 horas a justificar sob “argumentos de saúde pública racionais” sua decisão. A declaração diz ainda que a OMS poderá pedir aos países que reconsiderem sua decisão. Os países também são advertidos contra qualquer ação que “promova estigma ou discriminação”. Diz que restrições a viagens internacionais deverão ser cuidadosamente avaliadas.

A decretação da emergência, a exemplo do que aconteceu com o vírus zika, em 2016, dá à OMS o poder de estabelecer também normas para padronizar medidas de prevenção, contenção, diagnóstico e tratamento do vírus. Ainda obriga os países a compartilharem informações e contribuírem para o desenvolvimento de testes de diagnóstico e vacinas. Para o Brasil, que tem agido em estreita colaboração com a OMS, a declaração da emergência não muda muito as coisas em termos práticos.

A declaração da OMS não tem força de lei, mas os países integrantes das Nações Unidas são oficialmente notificados da gravidade da situação. E, por serem signatários, das Regulações Internacionais de Saúde (IHR, na sigla inglês) se comprometem a seguir as normas estabelecidas pela OMS.

Entre elas está pedir a colaboração de países mais ricos para ajudar os mais pobres. Isso aconteceu com o Ebola na África, em 2014, que sem ajuda internacional não teria conseguido enfrentar minimamente a epidemia — ela não foi totalmente contida, mas o número de casos foi significativamente reduzido.