23 jan 2020

Telefone celular de pastor Anderson foi ligado na casa de delegado federal em Brasília.

A investigação começa a desvendar como, depois do crime, o aparelho viajou até a capital federal.

O telefone celular nunca foi encontrado, mas com novas informações dos dados de telefonia, a investigação consegue começar a traçar o caminho percorrido pelo aparelho após a morte do pastor Anderson do Carmo.

Marido da deputada federal Flordelis, Anderson foi assassinado na casa da família, em Pendotiba, em Niterói.

Horas depois do assassinato, o telefone celular do pastor foi conectado ao wi-fi da casa do senador Arolde de Oliveira, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.

Nessa conexão, o aparelho já estava com um novo chip, em nome de Yvelise de Oliveira, mulher do senador.

Depois de ser ligado na casa do senador, o aparelho foi para Brasília. Lá, o celular recebeu um terceiro chip, em nome de um pastor e foi conectado ao wi-fi da casa do delegado da Polícia Federal.

Depois de ser ligado no local, o telefone nunca mais foi conectado.

Os nomes do pastor e do delegado federal são mantidos sob sigilo. A polícia acredita que o destino do telefone celular de Anderson do Carmo é uma pista fundamental para o solucionar o caso. Antes da análise dos dados, o paradeiro do aparelho estava perdido em contradições.

Três depoimentos diferentes apontam que o telefone pode ter passado pelas mãos da deputada Flordelis após a morte de Anderson do Carmo.

A irmã do pastor, Michelle do Carmo, disse à polícia que viu um aparelho sendo entregue para Flordelis no quarto da deputada.

Michelle disse ter absoluta certeza de que se tratava do telefone de seu irmão.

A deputada Flordelis sempre afirmou que o aparelho desapareceu depois do crime. Sobre a revelação de que o aparelho passou por Brasília, a assessoria da Flordelis informou que ela não comenta a investigação da polícia no caso.

A polícia investigou até a hipótese de que o telefone tenha sido jogado no mar. Dois filhos do casal Flordelis e Anderson foram indiciados pelo homicídio.

Flávio dos Santos Rodrigues e Lucas dos Santos de Souza estão presos enquanto aguardam o julgamento.

O depoimento de Yvelise de Oliveira ainda não tem data divulgada. Ela será ouvida pelo novo delegado do caso.

Desde a noite de terça-feira (21), o delegado Allan Duarte agora está à frente do caso. Ele ocupará o lugar da delegada Bárbara Lomba que comandou o inquérito desde a morte do pastor Anderson há sete meses.

Chamada a prestar depoimento

Yvelise de Oliveira, mulher do senador Arolde de Oliveira, foi intimada a prestar depoimento. Ela e o marido são próximos do casal Flordelis e Anderson.

O senador é uma das lideranças no Rio de Janeiro do PSD, o mesmo partido de Flordelis. O pastor Anderson era o líder da legenda na região de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio.

Fora da política, os casais se conectavam pela música gospel. Arolde de Oliveira foi o fundador da gravadora que lançou vários discos de Flordelis. Yvelise é, atualmente, a presidente da empresa.

O senador Arolde de Oliveira não é investigado e afirmou que tanto ele quanto a mulher, Yvelise estão à disposição das autoridades para que tudo seja esclarecido.

Senador Arolde de Oliveira no enterrro do pastor Anderson, marido da deputada Flordelis — Foto: Alba Valéria Mendonça / G1 Rio

Senador Arolde de Oliveira no enterrro do pastor Anderson, marido da deputada Flordelis — Foto: Alba Valéria Mendonça / G1 Rio

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Reinhard Allan Santos