O convite a Regina veio horas após a demissão. Inicialmente, em entrevista à rádio Jovem Pan, a atriz afirmou que não considerava estar preparada para assumir a pasta. Depois, disse que precisava de um encontro olho no olho com o presidente para decidir.

Ao longo do fim de semana, Regina publicou em suas redes sociais postagens de apoio a Bolsonaro. Em uma das imagens, listou realizações dos dez primeiros meses de governo.

Em outra, citou uma declaração do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, que remetia ao episódio da demissão de Alvim — “fantástica, e até emocionante, a reação de intelectuais, artistas, historiadores, professores, estudantes, militares e da nação como um todo, ao infeliz resgate de pensamentos nazistas. Mostra uma face da convicção e do apego de nosso povo à democracia e às liberdades individuais”, dizia o texto.

Defensora do governo Bolsonaro, a atriz é amiga da primeira-dama Michelle Bolsonaro. Regina é uma das conselheiras do Pátria Voluntária, programa de Michelle para fomentar a prática do voluntariado. Ela também é amiga da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), responsável por apresentá-la a Bolsonaro.

No sábado, Bolsonaro evitou responder a questionamentos sobre o convite feito a Regina Duarte para a secretaria, limitando-se a responder:

— Namoradinha do Brasil. Está respondido. Valeu.

Horas antes de encontrar o presidente, Regina Duarte publicou no Instagram uma mensagem em que já sinalizava que aceitaria o cargo:

“Sou cristã. Católica. O feriado de hoje no Rio é dedicado a São Sebastião. Nada acontece por acaso. Olha só, querido seguidor, que dia importante pra ter sido chamada ao Rio pra uma conversa “olho no olho” do nosso Presidente da República. Olha quanta simbologia contém a vida deste homem santo. Tenho sido — e quero continuar sendo — GRATA à VIDA por tudo que ela me apresenta. De tudo quero tirar uma lição , um aprendizado. E vambora! Com muito amor no coração.”

Alvim foi o terceiro titular da Cultura no governo Bolsonaro. Em agosto, o então secretário Henrique Pires deixou o cargo após polêmica envolvendo o cancelamento de um edital para TVs públicas que incluída séries com temática LGBT. Na ocasião, Pires disse que preferia sair a “bater palma para censura”. Depois, o economista Ricardo Braga foi alçado ao cargo, mas acabou sendo indicado para chefiar uma secretaria do Ministério da Educação após cerca de dois meses.