17 jan 2020

Preso na Argentina  pai do menino Carlinhos, sequestrado em 2015.

– Cláudia Boudoux informa  que o pai de seu filho,  Carlos Attias, foi preso em Buenos Aires, na ultima  quarta (15). O garoto ainda permanece desaparecido –

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O drama vivido pela fisioterapeuta Cláudia Boudoux, que teve o seu filho Carlinhos Attias,  levado pelo pai,  do Recife para a Argentina, em dezembro de 2015, pode estar mais próximo do fim. Ela anuncia que o pai do seu filho, o comerciante  argentino Carlos Attias foi preso em Buenos Aires, nesta última quarta-feira (15), junto com uma mulher tida como uma das cuidadoras temporárias do garoto e um sobrinho dela.  Carlinhos, no entanto, segue ainda desaparecido. “Estamos esperançosas com essa notícia da prisão. Nossa família credita que desta forma meu filho vai aparecer em breve”, afirma  Cláudia.

De acordo com o advogado da mãe da criança, Pedro Henrique Reynaldo Alves, do escritório Limongi Sial & Reynaldo Alves que acompanha o Caso Carlinhos,   o pai  Carlos Attias foi alvo de um mandado de prisão preventiva, por criar obstáculos para a ação da justiça e ocultar o filho da obrigação de devolução para a mãe, cumprindo a extradição que havia sido combinada com a justiça, em fevereiro do ano passado.

“Ele não só descumpriu o acordo com a justiça, como também deu uma falsa notícia à polícia de que o menino havia fugido de casa sozinho”, ressalta Pedro Henrique Reynaldo , lembrando que  o argentino pode responder por obstrução da Justiça e por esconder a criança. “ As investigações mostraram que o comerciante estava remunerando terceiros  para ocultar a criança, que ficou um ano sem estudar e mantido, no que podemos entender como  cárcere privado”, explica o advogado. Reynaldo  que esteve ano passado na Argentina com vista a esse caso, ressalta que agora é esperar as autoridades argentinas localizarem o garoto para o resgate da criança pela mãe. “ Estamos em alerta e à espera dos próximas providencias, mantendo contatos e agindo no que preciso para resolvermos essa questão que se arrasta , causando muita dor aos familiares brasileiro do menino”, afirma o advogado.

Para entender o caso 

Na Noite de Natal: Carlos Attias Boudoux, o Carlinhos, tinha 8 anos em dezembro de 2015, quando foi levado pelo pai, o comerciante e advogado argentino Carlos Attias. Segundo a mãe de Carlinhos, a fisioterapeuta Cláudia Boudoux, um oficial de Justiça chegou na noite de Natal à casa dela, no bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife, com um mandado para que dois filhos, o menino e uma menina de 10 anos fossem para casa do pai. As duas crianças seguiram no dia 25 de dezembro daquele ano, com previsão para retornar dois dias depois, o que não aconteceu. Desesperada, Cláudia foi ao Fórum Joana Bezerra, no Recife, no dia 27 de  dezembro de 2015 e após alguns dias conseguiu uma ordem de busca e apreensão.

Acompanhada por um oficial de justiça, a fisioterapeuta, seguiu até a casa onde morava o ex-marido e, depois, se dirigiu a fábrica de empanados argentinos pertencente ao ex-marido, no bairro de Água Fria, no Recife,  mas não encontrou as crianças. No dia 30 de dezembro de 2015, Carlos Attias conseguiu na justiça o direito de passar o Réveillon com os dois filhos, com a previsão de entregá-los à mãe no dia 02 de janeiro de 2016.  Naquela data, somente a filha do casal foi deixada na casa de Cláudia, mas o pequeno Carlinhos foi levado pelo pai, que desapareceu. Cláudia então denunciou o caso ao Grupo de Operações Especiais (GOE), da Polícia Civil e a Polícia Federal em Pernambuco. No dia 05 de fevereiro de 2016, a fisioterapeuta recebeu a informação que o ex-marido havia vendido a empresa de empanados em Água Fria e desocupado o apartamento em que morava.

Somente no dia 14 de setembro de 2016, a polícia federal argentina conseguiu prender o argentino Carlos Attias. Ele foi encontrado em Buenos Aires e estava com o pequeno Carlinhos. Naquela ocasião, o nome do pai estava incluída na lista de procurados pela Interpol em 192 países, e ele também teve sua prisão preventiva decretada pela Justiça de Pernambuco. O menino foi deixado em uma casa de apoio para crianças e adolescentes em Buenos Aires e a PF informou que a mãe ou outro parente deveriam ir até lá providenciar os trâmites da viagem e fazer cumprir o mandado de busca.

A fisioterapeuta Cláudia Boudoux viajou para Argentina no dia 16 de setembro de 2016. Mas, poucas horas depois do embarque a Polícia Federal de Pernambuco divulgou a notícia  que a Justiça Argentina havia soltado o empresário Carlos Attias e que o garoto Carlos, já com 9 anos, estava de volta aos cuidados do pai. Ao chegar em Buenos Aires, a fisioterapeuta Cláudia Boudoux foi ouvida pela Justiça Argentina e depois  retornou novamente ao Recife sem a posse da criança.

Através da Secretaria de Direitos Humanos do Estado de Pernambuco, na pessoa do Secretário Pedro Eurico, o Ministério da Justiça foi acionado que requisitou a abertura do processo de recondução de Carlinhos pela Justiça Argentina, cuja decisão final favorável ao seu retorno foi em 13 de dezembro de 2018.

Em 13 de fevereiro de 2019, um acordo provisório de repatriação  para auxiliar na adaptação do menor no convívio materno,  que, segundo  Claudia, teve sua imagem fortemente distorcida pelo pai: “Depois de todo esse drama, além da luta de conseguir o retorno de Carlinhos, tive a confirmação de que nesses três anos meu filho foi programado para esquecer todas as memórias dos momentos em que viveu comigo. Nessa última ida à Argentina, eu vi uma criança completamente diferente. Um olhar de uma criança enraivada da mãe, usava frases feitas para não demonstrar nenhum tipo de afeto. Além da batalha jurídica, estou consciente de que terei que manter firme para reconquistar novamente o amor do meu filho.”

Os termos do acordo permitiriam  inclusive que o pai Carlos Manuel Attias, acompanhasse o filho e permanecesse no Recife com guarda compartilhada, até que outra decisão fosse proferida pela Justiça Local. O Ministério da Justiça e o Governo do Estado, através da  Secretaria de Direitos Humanos do Estado de Pernambuco, com o empenho pessoal do Secretário Pedro Eurico já estavam cientes da decisão e estavam prontos para recepcionar Carlinhos no dia 28 de fevereiro de 2019.

“A Fuga na Argentina”

Carlinhos segue desaparecido: Em 25 de fevereiro do ano passado ( 2019), o pai Carlos Attias, noticiou às autoridades da Argentina, na semana que antecedeu o Carnaval,  uma fuga do garoto e anexou aos autos do processo,  uma carta  na qual o jovem afirmava não querer voltar ao Brasil.  O garoto Carlinhos, devido acordo judicial firmado entre seus pais anteriormente,  deveria ter sido entregue  a mãe, Cláudia Boudoux, no dia 28 de fevereiro de 2019, data limite para esse cumprimento.

“Fiquei perplexa com a notícia e nunca acreditei nessa fuga e nem que a suposta carta seja de autoria do meu filho. Ela   não reflete a escrita de uma criança de 12 anos. Hoje, isso está claro que foi  mais um plano bem elaborado do pai, para não cumprir a decisão da justiça argentina,” afirmou ano passado  Cláudia Boudoux que acredita ainda que o filho continua sofrendo alienação parental, por parte do pai, diante do comportamento do garoto, desde o  último encontro que teve com o filho na Argentina, antes do desaparecimento.

No dia 01 de março de 2019, o advogado Pedro Henrique Reynaldo Alves se reuniu com autoridades, na Embaixada do Brasil, em Buenos Aires, para apresentar petição de apoio à representação diplomática brasileira na tomada de medidas mais efetivas e enérgicas das autoridades argentinas para a localização do menor e o imediato cumprimento da decisão judicial de repatriação do mesmo para entrega a sua mãe, Cláudia Boudoux, no Recife.

O então Conselheiro para assuntos políticos e relações institucionais da Embaixada, o diplomata Luiz Eduardo Fonseca, afirmou à época que já havia sido informado do caso a partir de expediente do Gabinete do Senador Jarbas Vasconcelos, membro da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado e que foi incumbido pelo Embaixador para diligenciar junto ao Cônsul à adoção das medidas requeridas.  O caso, desde o início, vem tendo apoio do Governo do Estado, através da Secretaria de Direitos Humanos, pelo  empenho pessoal do Secretário Pedro Eurico.

Acordo

No dia 13 de fevereiro de 2019, Cláudia Boudoux foi novamente à Argentina para fixar os termos da volta de Carlinhos ao Brasil, que já tinha sido determinada pela justiça argentina em 11 de dezembro de 2018. Ficou acordado que Carlinhos teria que retornar até o dia 28 de fevereiro, comunicando os dados do voo para que as autoridades brasileiras pudessem acompanhar sua chegada.

A fisioterapeuta Cláudia Boudoux, para facilitar a vinda do filho, concordou que o pai pudesse trazê-lo, mantendo, provisoriamente, a guarda compartilhada que estava vigente no Brasil até sua subtração. Teria sido acordado também que Carlinhos poderia passar o Carnaval com a mãe e as irmãs. Ocorre que ao invés do bilhete do voo,  uma carta escrita por Carlinhos foi juntada ao processo pelo pai, que relatava ter fugido por não querer voltar ao Brasil, estando até hoje sendo procurado pelas autoridades policiais da Argentina.

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Reinhard Allan Santos