10 jan 2020

Funcionários da Boeing dizem que modelo que caiu na Etiópia e na Indonésia foi ‘projetado por palhaços’.

As mensagens internas sobre o Boeing 737 MAX incluem diálogos que diziam que o avião foi “projetado por palhaços e supervisionado por macacos”. O conteúdo foi reproduzido pela agência Reuters e pelo jornal The New York Times.

O Boeing 737 MAX está proibido de voar em todo o mundo depois dos acidentes na Etiópia e na Indonésia. O modelo, que era o mais vendido da companhia, teve sua produção interrompida neste mês.

As conversas foram enviadas pela própria Boeing para o Congresso dos Estados Unidos e para a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA, na sigla em inglês). Segundo a Reuters, a fabricante justificou a divulgação das mensagens como parte do “compromisso com a transparência”. A Boeing afirmou ainda que os diálogos não representam a empresa e são “completamente inaceitáveis”.

Mensagens e e-mails

Segundo a Reuters, nas centenas de mensagens de textos e e-mails divulgadas pela Boeing, os funcionários ridicularizam a aeronave e zombam da FAA. Os empregados não foram identificados.

Em 8 de fevereiro de 2018, quando o avião estava no ar e 8 meses antes do primeiro acidente fatal, um funcionário pergunta a outro:

“Você colocaria sua família em um simulador do MAX?”

O outro empregado responde:

“Eu não.”

Segundo a Reuters, funcionários da Boeing também trocaram mensagens com reclamações sobre o 737 MAX após problemas com o computador de gerenciamento de voo. Em uma das conversas, eles dizem:

“Este avião é projetado por palhaços, que por sua vez, são supervisionados por macacos.”

O jornal The New York Times divulgou outra mensagem em que um empregado da Boeing diz:

“Eu não fui perdoado por Deus pelo que eu acobertei ano passado.”

Crise da Boeing

A divulgação das mensagens é mais um episódio de uma das piores crises da Boeing desde as quedas das aeronaves na Etiópia e na Indonésia. A fabricante de aviões enfrenta danos à reputação e perdas envolvendo a saída do mercado do 737 MAX.

A crise custou à Boeing US$ 9 bilhões e prejudicou fornecedores e companhias aéreas.

No terceiro trimestre de 2019, a Boeing informou que o lucro operacional principal caiu para US$ 895 milhões, abaixo dos ganhos de US$ 1,89 bilhão apurados no mesmo período de 2018.

A Boeing produzia 42 jatos do modelo 737 MAX por mês, apesar da suspensão. Atualmente, a companhia tem 400 aviões em estoque.

Os desastres aéreos também derrubaram o principal executivo da empresa. Dennis Muilenburg perdeu o cargo de diretor pouco mais de um ano depois da queda do primeiro 737 MAX, em dezembro.

O conselho de administração afirmou que a mudança é necessária pra reestruturar a confiança na empresa. O novo CEO da Boeing deve assumir na próxima segunda-feira (13).

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Reinhard Allan Santos