De acordo com a seção 11 do acordo, “as autoridades federais, estaduais ou locais dos Estados Unidos não imporão impedimentos ao trânsito de ou para o distrito-sede” de “ pessoas convidadas para a sede  das Nações Unidas ou por uma agência especializada em negócios oficiais”.

O acordo diz ainda que a autorização deve acontecer “independentemente das relações existentes entre os governos das pessoas mencionadas nessa seção e o governo dos Estados Unidos”. Apesar disso, Washington alega que pode negar vistos por razões de “segurança, terrorismo e política externa”.

Segundo a revista Foreign Policy, que adiantou a informação posteriormente confirmada pela Reuters, Zarif aguardava um visto que pediu há semanas, mas um funcionário do governo de Donald Trump telefonou para o secretário-geral da ONU, António Guterres, nesta segunda-feira para informá-lo de que os Estados Unidos não permitiriam a entrada de Zarif  no país.

A medida segue a tensão crescente entre os dois países depois que os Estados Unidos mataram o comandante militar mais proeminente do Irã, Qassem Soleimani, em Bagdá na sexta-feira.

Zarif queria participar de uma reunião do Conselho de Segurança sobre o tema da manutenção da Carta da ONU. A reunião e as viagens de Zarif haviam sido planejadas antes do último surto de tensão entre Washington e Teerã. A reunião do Conselho de Segurança daria a ele um palco global para criticar publicamente os Estados Unidos por matar Soleimani.

A autorização de ingresso para autoridades estrangeiras é uma das condições para que a sede da ONU fique em Nova York. O acordo determina ainda que as autoridades americanas devem “fornecer a proteção necessária a essas pessoas enquanto estiverem em trânsito para ou a partir do distrito da sede”.

Exceto se previamente autorizados, os diplomatas em viagem ficam restritos a um rígido perímetro em Manhattan, em uma parte do Queens e ao caminho para o aeroporto.

Em julho de de 2019, os Estados Unidos já tinham imposto rígidas restrições de viagem a Zarif antes de uma visita às Nações Unidas, bem como a diplomatas iranianos e suas famílias que moravam em Nova York, que Zarif descreveu como “basicamente desumanas”.

Em setembro, os Estados Unidos também rejeitaram um pedido de Zarif para visitar o embaixador iraniano das Nações Unidas no hospital de Nova York, onde ele estava sendo tratado de câncer. Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA disse na ocasião que o pedido de Zarif seria atendido se o Irã libertasse um dos vários cidadãos americanos que havia detido.

O Departamento de Estado dos EUA recusou responder pedidos de comentários imediatos da Reuters. A missão do Irã nas Nações Unidas disse: “Vimos as reportagens da mídia, mas não recebemos nenhuma comunicação oficial dos EUA ou da ONU sobre o visto do ministro das Relações Exteriores Zarif”.

O porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, se recusou a comentar sobre a negação dos EUA de um visto para Zarif.

Uma  enorme multidão se reuniu nesta segunda-feira para a cerimônia fúnebre de Soleimani em Teerã. Pedidos de uma vingança dura contra os autores do seu assassinato, vindos da filha do militar, de altas autoridades e também de manifestações espontâneas da população iraniana, foram a tônica da despedida da capital ao general.