6 jan 2020

Quem é Eduardo Fauzi? Suspeito de ataque ao Porta dos Fundos coleciona passagens pela polícia.

“É uma pessoa com o perfil agressivo, violento. Uma pessoa perigosa”, diz o delegado Marco Aurélio de Paula Nogueira.

Uma dançarina de zouk, que prefere não se identificar, revela que hoje Eduardo não é muito bem visto entre os frequentadores desses bailes, por ter comportamentos homofóbico.

Fantástico: que tipo de comportamento homofóbico?

Dançarina: já tiveram algumas afirmações do tipo: ‘ah, o zouk está virando um gueto gay, eu nunca vou me esfregar em outro homem’. Esse tipo de afirmação que ele fazia em redes sociais.

Eduardo Fauzi foi identificado como um dos cinco criminosos que atacaram com coquetéis molotov a sede da produtora Porta dos Fundos no Rio de Janeiro, no dia 24 de dezembro. Poucos dias depois do grupo exibir um programa especial de Natal, no Netflix, que gerou polêmica: o especial insinua que Jesus Cristo teve uma experiência homossexual depois de 40 dias no deserto. Diversas denominações cristãs criticaram com veemência o conteúdo do programa.

Durante o ataque, Eduardo Fauzi era o único que estava com o rosto descoberto.

Cinco dias depois, Fauzi foi identificado pela polícia e teve a prisão decretada. Mas já era tarde. Ele já havia saído do Brasil em direção à Rússia. Uma fuga premeditada, como ele afirmou em uma entrevista ao site do Projeto Colabora. “Achavam que fui muito estúpido pra não cobrir o rosto e não alterar a voz, mas fui conectado o suficiente pra ser avisado do mandado de prisão a tempo de viajar pra fora do país”, disse.

Eduardo Fauzi tem uma vasta ficha criminal. Doze passagens pela polícia. É investigado pela prática de crimes como ameaça, lesão corporal e formação de quadrilha. Em 2013, foi acusado de manter um estacionamento irregular no centro do Rio de Janeiro. E mostrou seu temperamento agressivo durante uma fiscalização da prefeitura.

A vítima foi o Secretário Municipal de Ordem Pública do Rio na época, Alex Costa. Ele foi agredido durante uma entrevista coletiva. “No momento eu fiquei ali sem visão, sem audição. Eu não tava esperando aquilo. Foi um soco por trás, então foi um ato covarde”, conta o ex-secretário.

Mas na época, Eduardo Fauzi fez questão de mostrar nas redes sociais que não tinha se arrependido. “Foi a tapa mais bem dada que eu já pude dar na minha vida”, disse.

“Aquele tapa não foi na minha cara só, eu acho que foi um desrespeito à sociedade, às pessoas de bem”, afirma Alex.

Fauzi foi processado por agressão. Mas o crime prescreveu, antes que ele fosse julgado. A única punição que ele recebeu neste caso foi pelo crime de coação. Fauzi ameaçou o ex-secretário para tentar forçá-lo a retirar a queixa. Condenado a quatro anos de prisão, ele recorreu e responde em liberdade.

Eduardo Fauzi tem também contra ele duas acusações feitas pela sua ex-mulher, com quem teve dois filhos. Segundo documentos obtidos pelo Fantástico, a primeira acusação foi feita em 2009, quando o casal estava em uma rua do bairro de Botafogo, no Rio. Ali, começou uma discussão. Segundo consta no boletim de ocorrência, a ex-mulher foi empurrada por Eduardo e começou a gritar por socorro. Os dois acabaram sendo levados para a delegacia por policiais militares.

A segunda acusação foi registrada em 2016. Depois de cobrar na Justiça o pagamento de pensão alimentícia, a ex-mulher afirmou em depoimento ter recebido as seguintes ameaças: “posso te prejudicar de várias maneiras”. “Você anda muito sozinha na rua. Cuidado com o que pode acontecer com você”.

Ainda em depoimento, ela disse que “seu ex-companheiro possui um comportamento muito violento, já tendo a agredido diversas vezes verbalmente e fisicamente”. A equipe do Fantástico foi até o apartamento da ex-mulher de Fauzi. Ela atendeu, mas não quis gravar entrevista. Apesar dos registros na polícia, ela disse que nunca foi agredida pelo ex-marido.

Mais tarde, o advogado dela enviou uma nota, onde diz: “nunca houve agressão física. A minha cliente se arrepende do registro policial realizado no ano de 2016”.

Na casa de Fauzi e em outros dois endereços ligados a ele, a polícia apreendeu R$ 119 mil, duas armas de brinquedo, facas, e uma camisa de uma associação que se diz nacionalista.

Fantástico: qual é a fonte de renda dele?

Marco Aurélio de Paula, delegado: ele é um comerciante, empresário, ele foi sócio de posto de gasolina durante muito tempo, ele é presidente de uma associação de guardadores de veículos no centro da cidade, basicamente, a família é dona de estacionamento.

Em uma foto, Fauzi posa com uma arma ao fundo, em cima da mesa. A polícia do Rio pediu ao Ministério da Justiça para incluir o nome de Eduardo Fauzi na lista de procurados da Interpol.

“Significa que ele passa a ser procurado no mundo inteiro como um criminoso”, explica o delegado Marco Aurélio.

Na entrevista ao site do Projeto Colabora, Eduardo Fauzi disse que vai pedir asilo político para a Rússia

“Infelizmente ele tá solto oferecendo um risco pra sociedade. Aconteceu comigo, aconteceu com outras pessoas e pode, com a fuga dele, pode tá acontecendo com outras pessoas por aí”, lamenta o ex-secretário Alex Costa.

Fantástico: o mundo zouk está preocupado com ter o nome dele relacionado a essa dança?

Dançarina: sim, é uma comunidade pequena, é uma comunidade que prega o social. É estranho a gente saber que uma pessoa que estava ali do nosso lado seria capaz de fazer coisas que a gente nem imagina.

“A gente não sabe o que esperar de um cidadão como esse. Uma pessoa como essa, que vê a sociedade dessa forma e que encara a lei dessa maneira, com deboche”, diz Alex.

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Reinhard Allan Santos