Com 618 mil seguidores no Instagram, Doutor Bumbum tem mais de 2.100 publicações.

Desde que foi solto, em janeiro de 2019, ele passou a fazer postagens diariamente.

Em algumas, escreve textos enigmáticos, como o do dia 14 de novembro:

“Mais uma semana se passa e me pergunto: o que aprendemos? Ainda somos os mesmos de semana passada ou melhoramos um pouco mais?”.

Nas últimas semanas, ele chegou a criticar o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) pelo “descaso” com pacientes que buscam atendimento em unidades muncipais.

“No próximo #anoeleitoral, tudo poderá mudar se começar a ser amplamente fiscalizado por políticos municipais que se importam com a saúde do povo carioca”, ele escreve.

De acordo com o próprio Cremerj, Denis Furtado teve o registro cassado pelo Conselho Federal de Medicina, sem direito a recurso, não sendo, portanto, mais médico.

O processo teve início com o indiciamento do Doutor Bumbum pela morte de Lilian Calixto, de 46 anos, em quem ele aplicava 300 ml de PMMA — um derivado do acrílico.

O produto tem uso permitido pela Anvisa, mas em pequenas quantidades.

Na ocasião, o procedimento ocorria na cobertura de Denis, na Barra da Tijuca, quando Lilian passou mal e foi levada por ele a um hospital particular do bairro, onde onde morreu horas depois, após quatro paradas cardiorrespiratórias.

Um laudo do Instituto Médico Legal indicou que ela teve embolia pulmonar — quando o fluxo sanguíneo do pulmão é interrompido.

Ele foi preso por seis meses, sendo solto em janeiro deste ano, após uma decisão da Sétima Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio.

A prisão foi substituída por medidas cautelares — comparecimento periódico em juízo para informar e justificar atividades; proibição de se ausentar do Rio e recolhimento em casa à noite e nos dias de folga; proibição de manter contato com pessoa determinada quando, por circunstâncias relacionadas ao fato, deva o indiciado ou acusado dela permanecer distante.

Em liberdade, Doutor Bumbum criou uma associação para acolher vítimas de erro hospitalar, prestando consultoria “de forma gratuita e voluntária” a vítimas ou a pessoas que temem eventos adversos ocasionados por atendimento hospitalar.