3 set 2019

GOVERNO FEDERAL DISCRIMINA PERNAMBUCO E O NORDESTE.

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Por Márcio Maia

Existe uma ideia entre os moradores do Sudeste, especialmente de São Paulo, indicando seguinte: São Paulo foi construído pelos nordestinos. Essa ideia surgiu e é disseminada de forma pejorativa, passando a impressão de que os milhões de nordestinos, fundo das secas, trabalharam na construção dos prédios por não terem educação suficiente para outras ocupações profissionais.

Entre os governantes federais existe outra ideia, indicando que os Estados do Nordeste precisam de ajuda para poder se manterem e melhorar a qualidade de vida da população. O grande Luiz Gonzaga, com sua enorme visão e conhecimento das coisas do Sertão Pernambucano, gravou uma música, por sinal clássica, onde diz que “meu senhor, uma esmola para o homem que é são/ ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”.

Agora, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) tem tomado medidas que têm prejudicado seriamente os Estados do Nordeste. Muitos analistas têm dito que é motivado pelo ínfimo percentual de votos que recebeu nas últimas eleições.

Abordando o assunto, o pensador Sebastião Barreto Campello publicou um artigo no Diário de Pernambuco, no qual relata fatos bastante interessantes, onde fica constatada a predominância da riqueza de Pernambuco e outros Estados da região sobre os sulistas.

Relatou que em 1816, o escritor inglês Henry Koster escreveu o livro “Travel’s in Brazil”, dizendo estar chocado com o contraste entre a opulência de Pernambuco e a extrema pobreza dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Em 1944, no livro “História Econômica do Brasil, Roberto Simonsen afirma que no ano de 1850, Pernambuco detinha 50 por cento do PIB do País. No primeiro recenseamento feito no Brasil, no ano de 1872, o Nordeste aparece com 65% do PIB.

Em 1845, o Diário de Pernambuco publicou a seguinte notícia: A Província de Pernambuco arrecadou Rs 2.884:918 e remeterá para o Rio de Janeiro Rs 1.902:411. Em sua edição de 3 de março de 1846, o mesmo DP publicou em forma de protesto, que a Província arrecadou Rs 3.131:036 e remeteu para o que chamou de “aquele sorvedouro”, o Rio de Janeiro, Rs2.11:258.

Com base nesses dados, o professor Barreto Campello pergunta: Se em 1872, o Nordeste detinha 65% e hoje só tem 15% do PIB nacional?

Ele relata também que, de 1909 a 1984 (76 anos), o Governo Federal, através do DNOCS, investiu em açudes e barragens no Nordeste US$ 3,2 bilhões e em apenas 10 anos, gastou US$ 16 bilhões para construção da barragem e hidroelétrica de Itaipu, no Sul do País. Citou também que a União gastou na construção da Ferrovia do Aço, US$ 4 bilhões, na Aço Minas US$ 6 bi e US$ 18 bilhões com o Plano Nuclear.

No artigo, o professor deixa claro que Pernambuco vem sendo discriminado pelas centenas de Presidentes da República e Ministros de Estados desde a época do imperador Dom Pedro II.
Não podemos esquecer que, a história conta que o imperador chegou a prometer que iria acabar com a seca no Nordeste “nem que fosse necessário gastar todas as joias da Coroa”.
Nem ele gastou todas as joias da Coroa e nem acabou com a seca.

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Reinhard Allan Santos