19 mar 2014

O suicídio de Getúlio Vargas e o drama de Dilma Rousseff.

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 * No início de agosto de 1954, o chefe da guarda pessoal de Getúlio Vargas, Gregório Fortunato, por iniciativa própria ou a mando de algum político getulista, contratou capangas para assassinarem o principal líder da oposição, o deputado e jornalista Carlos Lacerda, um dos maiores responsáveis pelas críticas que eram feitas ao presidente. Com isso, pretendeu-se silenciar o opositor, mas o resultado foi o pior possível para o governo que, segundo a imprensa, passou a se ver mergulhado em um “mar de lama”.
images1212Hoje, 19 de março, só é diferente porque a presidente Dilma Rousseff está no poder e não pensa em suicídio. Mas, a pressão externa é tão intensa quanto em 1954. Agora, o povo está nas ruas protestando contra a corrupção e a roubalheira desenfreada dos cofres públicos. Em outro contexto há uma divisão. Parte quer Dilma no poder e a outra parte quer o impeachment da presidente.
Há, também ouras semelhanças, o Brasil está parado, a economia não anda e a inflação, lamentavelmente está de volta. Na sede do governo federal do Catete, Rio de Janeiro, Getúlio sentia na pele a pressão das três forças armadas e um inimigo visceral chamado Carlos Lacerda o criticava duramente na imprensa. Dilma hoje, também, está com o mesmo problema. É pressão de todo lado. Sua base governista está minguando e o processo de impeachment já foi instalado na Câmara dos Deputados por um deputado tão ou pior que Lacerda. É o presidente Eduardo Cunha que no afã de ver Dilma bem longe está fazendo os parlamentares trabalharem como nunca, garantindo quórum durante a semana.
Lacerda sofreu um atentado e culpou Getúlio. Um oficial que trabalhava na aeronáutica saiu morto. Ele  trabalhava, também, como segurança do jornalista. A partir daí o governo expunha sua fragilidade: o crime cometido não tinha justificativas e, além do mais, ficou provado que fora arquitetado dentro do Palácio do Governo. Desgastado diante da opinião pública, Vargas escapa de uma nova deposição apelando para o suicídio.
O tiro que desfechou no coração, no dia 24 de agosto de 1954, veio acompanhado de uma carta-testamento que se transformaria num dos mais conhecidos documentos históricos brasileiros. Nela, Vargas fazia uma declaração nacionalista e de amor ao povo.
O que se passa, hoje, pela cabeça da presidente Dilma ninguém sabe. O certo é que o cerco está ficando mais curto e ela não poderá contar no seu ministério com o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, impedido de assumir a Casa Civil. Por decisão do Ministro Gilmar Mendes, do STF, Lula voltará a ser investigado pelo juiz federal Sérgio Moro que comanda a Operação Lava Jato, onde o ex-presidente é acusado.
Dilma está fechada em copas tendo a plena consciência que a situação do País é gravíssima e que ele precisa urgentemente fazer o Brasil caminhar. De coro grosso, esteve presa durante o regime militar, a presidente diz que não renuncia. Já a oposição faz a conta de um governo pós-Dilma.
É isso!

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Anos mais tarde foi descoberta, nos arquivos pessoais de Getúlio guardados pela família, uma segunda versão dessa carta, escrita a mão por Vargas, cujo tom era parecido.

 

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* Trecho retirado do livro:
Maria Celina D’Araujo, A Era Vargas. 1. ed. São Paulo: Moderna, 1997. 103p. il. (Coleção polêmica

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Henrique Barbosa