17 jun 2017

Temer se reúne com ex-ministro do STF Carlos Velloso sobre situação jurídica.

O ex-ministro do TSE Carlos Velloso, durante entrevista ao GLOBO – Gustavo Miranda / O Globo/17.10.2005

 

Encontro também teve participação do ministro da Justiça, Torquato Jardim

 

BRASÍLIA – O presidente Michel Temer se reuniu com o jurista Carlos Velloso, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). O encontrou ocorreu nesta quinta-feira, no Palácio do Jaburu, e teve a participação ainda do ministro da Justiça, Torquato Jardim. O ministro Velloso disse ao GLOBO que é amigo de Temer há décadas e que às vezes atua como conselheiro jurídico informal. O presidente ligou para o ex-ministro do STF na última quarta-feira, combinando o encontro desta quinta, que durou até o início da noite.

Velloso chegou ao Jaburu acompanhado por Torquato, que o pegou em casa. Ele caminhava com dificuldade, usando uma bengala devido à uma fratura no joelho.

Velloso disse que não poderia comentar os detalhes da conversa, mas afirmou que Temer está muito tranquilo.

— Sou amigo do Temer desde quando ele era apenas um professor de Direito Constitucional na PUC de São Paulo. Eu era professor da PUC de Minas Gerais e ia a São Paulo cerca de uma vez por mês. Isso faz uns 40 anos, e, de vez em quando, ele me chama para dialogar sobre problemas jurídicos. Quer consultar a experiência de um velho advogado. Ele está muito tranquilo — disse Velloso

Carlos Velloso explicou que costumava receber convites do então reitor da PUC de São Paulo, Geraldo Ataliba, para dar aulas e palestras na instituição. Foi nesta época que conheceu Temer. Velloso é professor emérito da PUC de Minas.

O ex-presidente do STF, nas conversas com outros juristas, costuma reclamar do individualismo hoje no Supremo, com os ministros muitas vezes divergindo publicamente.

— O Supremo é uma instituição bicentenária, não se pode tirar essa grandeza — disse Velloso.

Pela Constituição, a denúncia é apresentada pelo procurador ao STF, cujo presidente a encaminha à Câmara. Cabe à Câmara aceitar ou não a denúncia. Temer precisa de apenas 172 votos para barrar a denúncia, já que são necessários 342 votos de 513 para autorizar um processo contra o presidente da República.

Tener viaja para a Rússia na segunda-feira, e o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) vai na comitiva. Perondi é aliado de Temer e cotado para ser o relator da eventual denúncia na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.

 

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Henrique Barbosa