13 nov 2017

O Brasil mudou com Temer?.

Por Henrique Barbosa e equipe do blog

Brasília, dia 31 de agosto de 2016, o País recebia a seguinte notícia:

“O plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (31), por 61 votos favoráveis e 20 contrários, o impeachment de Dilma Rousseff. A presidente afastada foi condenada sob a acusação de ter cometido crimes de responsabilidade fiscal – as chamadas “pedaladas fiscais” no Plano Safra e os decretos que geraram gastos sem autorização do Congresso Nacional, mas não foi punida com a inabilitação para funções públicas. Com isso, ela poderá se candidatar para cargos eletivos e também exercer outras funções na administração pública.”

Brasília, dia 11 de novembro de 2017, o País pergunta: o que mudou?

O PMDB que nasceu MDB no auge do golpe militar de 1964, num momento em que os militares resolveram que haveriam apenas dois partidos fazendo política no Brasil. Um deles seria a favor “pra cacete” do governo, no caso a ARENA – Aliança Renovadora Nacional e o outro, o MDB – Movimento Democrático Brasileiro, seria apenas a favor do governo. Na sua gênese o MDB, atual PMDB, não trouxe no seu bojo um projeto político para se pautar e para lutar por ele. O MDB tinha um projeto de poder apenas, abrindo mão inclusive de ser cabeça de governo. Nunca ganhou uma eleição presidencial, é bom lembrar que a eleição de 1985 foi disputada pelos únicos dois partidos à época e que ela foi indireta, que Itamar Franco galgou a presidência após o impeachment de Collor, porém sempre foi governo, desde a redemocratização do País.

No dia 05 de dezembro de 2015 começou a urdir a sua volta ao poder, dessa vez através de um golpe inescrupuloso que contou com o valioso apoio do PSDB e de Aécio Neves com a sua sanha de se tornar presidente a qualquer custo. Juntos, o PMDB e PSDB construíram uma dantesca página na história do País. Conseguiram em conjunto com a mídia e o empresariado, mobilizar a população e fazer com que as ruas ficassem coalhadas de brasileiros indignados, que exigiam mudanças e um basta à corrupção que grassava a nação e esgarçava o frágil tecido social brasileiro. No dia 31 de agosto de 2016 conseguiram enfim, de uma tacada só, colocar ambos os partidos na condição de protagonistas do comando político nacional.

Bastaram apenas alguns meses e tanto o PMDB, quanto o PSDB mostraram a que vieram. Todos os escândalos que afloraram, estouraram e vieram ao conhecimento público, quando não tinha o DNA de um ou do outro, tinha o de ambos, e quando não tinha o DNA deles, as impressões digitais de ambos se faziam presentes. No plano econômico retrocedemos absurdamente, até o déficit vergonhoso do governo Dilma, que batia na casa dos R$ 95 bilhões de reais e que tanta comoção e revolta causaram, em menos de um ano de nova administração, passou para módicos R$ 150 bilhões em 2017 e mais R$ 150 bilhões em 2018. A PEC 241/16 congelou por vinte anos alguns gastos públicos em áreas essenciais para a população, tais como: saúde, educação, segurança e outras mais. O Governo também empurrou goela abaixo do povo brasileiro, uma reforma trabalhista feita sob medida para agradar ao empresariado. Não bastassem os mimos com a CLT, ainda contemplou os senhores do capital, com uma Lei de terceirização que joga pelo ralo, algumas das principais conquistas dos trabalhadores, transformando o mercado de trabalho num rinha de brigas onde nunca o mais forte ganhará e sim o mais fraco, ou aquele que esteja disposto a ceder a sua força de trabalho pela menos valia, em detrimento do valor justo ou da mais valia. Não bastassem todas essa maldades “salvadoras da pátria”, o PMDB e o PSDB tentam nos brindar com uma reforma da previdência milagrosa, em que mais uma vez o brasileiro pagará na prática a conta que será apresentada num futuro próximo. Na verdade essa reforma da previdência é mais um mimo da dupla PMDB/PSDB para os senhores do capital, uma vez que as dívidas bilionárias dos mesmos para com o sistema previdenciário terão o mesmo fim que a Conceição de Cauby Peixoto: ninguém sabe ninguém viu.

Nos quesitos bandidos e corruptos ambos têm algumas das suas cabeças mais coroadas atoladas, até um palmo acima das suas coroas, nesse mar de lama em que Brasília se transformou, onde nem o desastre de Mariana é suficiente para nos dar uma dimensão da esculhambação em que isso é de verdade. O Brasil do PMDB/PSDB envolveu nessa realidade nojenta em que vivemos todos os poderes: executivo, legislativo e judiciário, lançando a credibilidade dessas instituições no esgoto. Conseguiu promover um racha no STF e jogá-lo num lastimável e inacreditável embate em que o placar final, que favoreceu Aécio Neves do PSDB, mostrou claramente que: ou cinco ministros não sabem absolutamente nada sobre a nossa Constituição e, portanto, não deveriam frequentar tão eminente casa, ou os seis restantes não perceberam que são autônomos e que podem sim usar como argumento final, algo além de um bisonho — … entendo sim que o STF pode decidir sobre essa matéria, porém a decisão final deve ser do Senado Federal, isso algum tempo depois de um ministro do STF decidir afastar o então à época presidente do Senado, filiado ao PMDB, que ao invés de acatar e cumprir a tal decisão, simplesmente ignorou o Supremo e permaneceu presidindo o Senado, numa clara afronta ao judiciário, que botou o rabinho entre as pernas e não se mostrou em momento algum ultrajado em sua função constitucional, num claro “manda que pode, obedece quem tem juízo”.

O Brasil não mudará enquanto o PMDB/PSDB não for mudado. Enquanto ambos tiverem como lastro programático um projeto meramente de poder, o País continuará andando em círculo e aqui ou acolá, dando alguns passos de retrocesso histórico.

O PSDB que ainda consegue ter alguns quadros interessantes e em condições de postular o voto do eleitor, é um partido sem rumo e sem liderança. Ao contrário do PMDB, que se contenta em estar entranhado no poder a qualquer custo, os tucanos teimam em se travestir de pavões e insistem em apoiar projetos pessoais de uma ou de outra figura notável das suas hostes. Eles parecem não ter aprendido absolutamente nada com o episódio de Aécio Neves, uma vez que tendo um quadro que inspira alguma credibilidade como Geraldo Alckmin, fomentam e incentivam uma briga insana e antropofágica internamente, jogando os holofotes da mídia em cima de um prefeito imberbe, que se julga um pop star ou figura midiática excepcional, que aliás, lembra muito o ex-presidente Fernando Collor, que também transformou-se numa “solução” que na realidade era um “problema”. Não satisfeitos em lavar a roupa suja de Alckmin e Doria, deixando que ambos se engalfinhassem publicamente, os tucanos ainda chegaram ao cúmulo, através do seu quadro mais proeminente, no caso o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a cogitar a presença de Luciano Huck nos palcos eleitorais de 2018. Loucura, loucura, loucura…

O Brasil mudou. Como diria uma certa loura famosa, o país deu uma guinada de 360º, o que absolutamente não é verdade, uma vez que o País não está no mesmo lugar que esteve há pouco mais de um ano atrás. Por isso, se, os três poderes juntos, no caso o PMDB, o PSDB e o judiciário (a parte que está impregnada de ambos os partidos até a medula) não conseguirem dar o segundo golpe no PT, dessa vez em Lula, afastando-o das eleições vindouras, mais uma vez o PMDB e PSDB ficarão chupando o dedo e terão que parafrasear Lady Kate com o seu famoso bordão — Tô “pagano”! Grana eu tenho, só me falta-me glamour! Bom, se bem que a imprensa já noticiou que o PMDB está estudando compor com o candidato do PT, seja ele quem for, desde que seja Lula, para as eleições de 2018. E o Brasil mudou…

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Henrique Barbosa