11 jun 2018

Mantega admite encontros com Joesley Batista.

Ex-ministro prestou depoimento a investigadores na Operação Bullish (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu à Polícia Federal que se encontrou com Joesley Batista, da empresa JBS, no Ministério da Fazenda, mas negou que fosse para favorecer a empresa.

Joesley Batista contou em acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF) que Mantega interferia no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para favorecer operações da JBS.

Mantega prestou depoimento à PF em São Paulo, no dia 29 de maio. O depoimento integra investigação da Operação Bullish, deflagrada em maio de 2017, para investigar fraudes e irregularidades em aportes do BNDES ao frigorífico JBS. A TV Globo teve acesso ao depoimento.

“Que, como ministro da Fazenda, o declarante participou de reuniões com o empresário Joesley, nas dependências do ministério, em Brasília , assim como no prédio do Banco do Brasil em São Paulo, pois eram os locais onde o declarante atendia os empresários”, disse Mantega, durante o depoimento.

Questionado sobre o assunto das reuniões, o ex-ministro disse que não se recordava. “Que não se recorda especificamente dos assuntos dessas reuniões, mas os encontros com empresários tinham como objetivo tratar dos rumos da economia, perspectivas de crescimento e saídas para a crise internacional”, pontua as notas do depoimento.

Guido Mantega foi o ministro da Fazenda que mais tempo permaneceu no cargo em governos democráticos. Ele deixou o posto para dar lugar ao economista Joaquim Levy no final de 2014. Mantega assumiu o Ministério da Fazenda em 2006, após a demissão de Antonio Palocci, envolvido no escândalo da quebra de sigilo ilegal do caseiro Francenildo dos Santos.

Antes de ser ministro da Fazenda, Mantega foi presidente do BNDES de novembro de 2004 a março de 2006. Na versão de Joesley, na delação, Mantega interferia para que o BNDES concedesse empréstimos à JBS, e que o então presidente do banco, Luciano Coutinho, era contra a liberação do dinheiro.

Segundo Joesley, Luciano Coutinho participava de reuniões entre o empresário e o ministro. “Tinha vezes que era constrangedor, porque eu ia em uma reunião com o Guido, chegava lá, o Luciano estava. E eu percebia que o Luciano ficava claramente constrangido, porque ficava parecendo que ele não sabia que eu ia chegar na reunião, sabe?”, disse Joesley Batista em depoimento.

Mantega, por sua vez, negou relações ilícitas com Joesley. “Que nunca recebeu cobrança alguma de Joesley Batista ou de qualquer outra pessoa para agilizar procedimentos de liberação de recursos ou de qualquer forma interferir nas operacoes do BNDES”, afirmou o ministro durante depoimento.

O ex-ministro negou, ainda, ter amizade com o empresário, mas admitiu ter ido ao casamento de Joesley e a um jantar na casa dele.

Fonte: G1 (Camila Bomfim)

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Felipe Durand