13 mar 2018

Lava-Jato: Operação ‘Pão nosso’ mira coronel da PM e delegado chefe das Especializadas.

Delegado Marcelo Luiz Santos Martins e o ex-secretário da Seap Cesar Rubens estão entre os alvos da ação que mira a corrupção no sistema penitenciário.

Por Chico Otávio e Daniel Biasetto

Lava Jato: agentes da polícia federal na Barra da Tijuca para prender o delegado Marcelo Luiz Martins – Pablo Jacob / O GLOBO

RIO – O delegado Marcelo Luiz Santos Martins, diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada do Rio, é um dos alvos da ação conjunta deflagrada nesta terça-feira, pelos Ministérios Públicos Federal e Estadual, contra a corrupção no sistema penitenciário do Rio. É mais uma etapa da Operação Calicute, versão da Lava-Jato no Rio. Ele está na lista de 14 mandados de prisão assinados pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Outra ordem de prisão importante é a do coronel da Polícia Militar Cesar Rubens Monteiro de Carvalho, ex-secretário estadual de Administração Penitenciária (Seap).

O pai do delegado Marcelo, Carlos Mateus Martins, também tem contra ele um mandado de prisão, assim como o empresário Carlos Felipe da Costa Almeida de Paiva Nascimento, dono do Esch Café, tradicional ponto de encontro de admiradores de charutos no Centro do Rio, no Leblon e em São Paulo. Aos acusados, estão sendo imputados os crimes de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, fraude em licitação e peculato.

Ainda são alvos de prisão o advogado Marcos Vinícius da Silva Lips, ex-secretário adjunto de Tratamento Penitenciário da Seap, e o ex-ordenador de despesas do órgão, Wellington Perez Moreira.

Cesar Rubens, que comandou o sistema penitenciário do Rio durante a gestão do ex-governador Sérgio Cabral, e Marcelo Martins são acusados de fazer parte de uma organização criminosa que, durante pelo menos seis anos (2009-2014), fraudou os contratos de fornecimento de alimentação (quentinhas, café da manhã e lanches) para os mais de 50 mil presos do estado, mantendo sempre os mesmos fornecedores, que dividiam entre si os lucros do esquema. No período, os contratos somaram R$ 72 milhões.

O delegado Marcelo Luiz Santos Martins – Divulgação

Em troca dos contratos, as empresas fornecedoras pagavam propina para Sérgio Cabral, Cesar Rubens, Marcos Lips e Wellington Perez. Por parte dos empresários, afirmam os investigadores, a caixinha das quentinhas era coordenada pelo empresário Felipe Paiva Nascimento, dono do Esch Café, tradicional ponto de encontro de admiradores de charutos no Centro do Rio, no Leblon e em São Paulo.

 

Compartilhe esta notícia:
Henrique Barbosa