11 out 2017

Justiça aceita denúncia contra Sérgio Cabral, ‘Rei Arthur’, Sérgio Côrtes e mais 5.

Este é o 15ª processo da Lava Jato ao qual o ex-governador do Rio vai responder. Defesa de Cabral diz que acusação do MPF é ‘vazia de provas’.

Por Arthur Guimarães, TV Globo

Ex-governador do Rio Sérgio Cabral está preso desde novembro (Foto: FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDO)

Ex-governador do Rio Sérgio Cabral está preso desde novembro (Foto: FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDO)

A Justiça Federal do Rio aceitou nesta quarta-feira (11) a denúncia contra o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), o ex-secretário de Saúde Sérgio Côrtes, o empresário Arthur Cesar de Menezes Soares Filho (conhecido como Rei Arthur) e mais cinco pessoas.

Com a decisão do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, Cabral passa a ser réu em 15 processos. Neste, o ex-governador, preso desde novembro, responde pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

São acusados:

• Sérgio Cabral, ex-governador acusado de chefiar a organização criminosa;

• Sérgio Côrtes, ex-secretário de Saúde do RJ;

• Arthur Soares, o Rei Arthur, maior empresário de transportes do Rio;

• Eliane Pereira Cavalcante, sócia de Arthur;

• Carlos Miranda, operador;

• Renato Chebar, doleiro;

• Enrico Vieira Machado, operador;

• Leonardo de Souza Aranha, operador.

A denúncia da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) foi feita com base na primeira fase da operação “Unfair Play” (jogo sujo, do inglês), deflagrada em setembro, e em outras etapas da Lava Jato no Rio.

Em sua decisão, Bretas elenca a participação de cada um dos oito denunciados. Segundo ele, Sérgio Cabral chefiava a organização criminosa, com Arthur Soares como figura relevante da quadrilha, parte do núcleo econômico do grupo.

Para os investigadores, Eliane Cavalcante, como sócia de Arthur, atuava como administradora das empresas de Arthur e auxiliava o empresário no pagamento de vantagens indevidas, através de pagamento de propina por meio de contatos e blindagem patrimonial de Arthur.

Carlos Miranda, de acordo com a decisão, era conhecido operador financeiro de Cabral, e recebeu, juntamente com Cabral, mais de R$ 1 milhão entre 2007 e 2011 através de várias empresas de Arthur Soares e Eliane.

Renato Chebar, delator do processo, era doleiro do ex-governador do Rio, apontam os investigadores. De acordo com a delação premiada de Chebar, Enrico Machado e Leonardo Aranha ajudaram a pagar uma quantia de U$ 10 milhões de dólares a Cabral através de mais de 21 transferências de recursos da conta da empresa Matlock, de propriedade de Arthur Soares, para a conta Blue Stream, de Chebar – o dinheiro não foi declarado à Receita Federal.

O ex-secretário estadual de Saúde Sérgio Côrtes, de acordo com a denúncia, teve despesas pessoais de R$ 148 mil pagas, após oferta de vantagens indevidas feita por Arthur Soares e Eliane Cavalcante, entre 2011 e 2012.

A defesa de Sérgio Cabral enviou a seguinte nota: “A denúncia, como costuma acontecer com as acusações contra o ex-governador, é vazia de provas quanto à participação de Sérgio Cabral no episódio descrito, e se baseia em mera presunção que o Ministério Público Federal fez por sua conta e risco”.

G1 ainda não conseguiu contato com a defesa dos outros citados.

Foragido

“Rei Arthur”, que está foragido, é acusado de pagar US$ 10 milhões a Cabral para receber benefícios do ex-governador em contratos de sua empresa. Ele também já era acusado de intermediar a compra de votos da Rio 2016.

Segundo o MPF, em troca de vantagens na celebração de contratos com suas empresas, Arthur efetuou pagamentos de vantagens indevidas a diferentes pessoas. Dono do Grupo Facility, durante o mandato de Cabral como governador, foi apontado como o maior fornecedor de mão de obra terceirizada do governo estadual. Ele chegou a faturar aproximadamente R$ 250 milhões.

Cabral é acusado de receber US$ 10,4 milhões em propina de “Rei Arthur”, entre março de 2012 e novembro de 2013, e ocultar o valor no exterior, além de ter recebido um total de R$ 1 milhão no Brasil entre 2007 e 2011. De acordo a denúncia do MPF, o pagamento era feito no país com entregas de recursos em espécie, celebração de contratos fictícios com membros da organização criminosa e pagamento de despesas pessoais.

2ª fase da ‘Unfair Play’

Ainda de acordo com o Ministério Público Federal, a investigação relacionada à compra de votos para a escolha da sede dos Jogos Olímpicos de 2016 prossegue após a deflagração, na semana passada, da “Operação Unfair Play – Segundo tempo”.

A ação levou à prisão o então presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, que renunciou nesta quarta-feira (11) ao cargo; e seu braço-direito, Leonardo Gryner, ex-diretor do COB e do Comitê Rio 2016.

https://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/justica-aceita-denuncia-contra-cabral-rei-arthur-sergio-cortes-e-mais-cinco.ghtml

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Henrique Barbosa