14 abr 2018

Criminosos na fronteira ‘adotam’ os Correios para contrabando de produtos.

Operações já flagraram caminhão de Sedex com série de produtos sem nota

Depósito na sede da Receita Federal em Foz do Iguaçu onde são armazenados volumes ilegais apreendidos nos Correios – Bruno Santos – 14.mar.2018/ Folhapress
Chamados para atender a uma denúncia numa agência dos Correios, agentes da Receita Federal se surpreenderam: havia dezenas de tapetes de origem paraguaia e equipamentos eletrônicos embalados para serem enviados para clientes do país todo, a partir de Foz do Iguaçu (PR).

Com fiscalização mais rígida na região da tríplice fronteira, contrabandistas estão cada vez mais enviando os produtos pelos Correios, como pessoa física, ou usando empresas de fachada para efetuar vendas por sites de compra e venda na internet.

A prática não é nova, mas cresceu tanto nos últimos meses que na delegacia da Receita Federal em Foz foi criada, inclusive, uma ala do depósito destinada só para receber mercadorias apreendidas em agências dos Correios de cidades na região fronteiriça.

Antes, cada operação flagrava no máximo 100 volumes, mas recentemente houve casos de até 900 volumes, motivando a ampliação das ações, agora semanais.

O volume apreendido em cada uma fica entre US$ 25 mil e US$ 30 mil, segundo Vagner Diogo de Souza, auditor fiscal e chefe da equipe de repressão da Receita Federal em Foz do Iguaçu.

“Em cada operação temos flagrado de 400 a 700 volumes, mas houve caso de até 900. A Receita tem atuado há dois anos com mais rigor nas agências dos Correios”, diz.

O volume de apreensões e operações, segundo ele, triplicou a partir de 2017.

Muitos dos produtos ilegais são oriundos da China e passam por acabamento na região de Ciudad del Este, cidade paraguaia fronteiriça com o Brasil. É o caso da fábrica de tapetes, que opera num local apertado e abafado. Conforme os pedidos chegam pela internet, os funcionários cortam os tapetes no tamanho desejado e os remetem a partir de Foz.

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Henrique Barbosa