5 dez 2017

Com mesma reprovação de Haddad, Doria recusa comparação com petista.

Diante do crescimento de seu índice de reprovaçãoapontado por pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira (5), o prefeito João Doria (PSDB) refutou comparação com o seu antecessor, Fernando Haddad (PT).

Segundo pesquisa Datafolha realizada de terça (28) a quinta (30) da semana passada, 39% dos moradores de São Paulo consideram a gestão péssima ou ruim –exatamente o mesmo índice de desaprovação de Haddad ao final de seu primeiro ano no comando da cidade, em 2013. No entanto, o tucano recusou a comparação com o petista.

“O mesmo Datafolha reproduz que temos 60% de aprovação. Entre regular, bom e ótimo, temos 60%. É sempre bom respeitar a opinião pública, mas é muito bom olhar o horizonte também (…) Não é igual [ao Haddad]. Se você olhar a aprovação, nossa aprovação é mais que o dobro da aprovação do Haddad. Mas não tem problema [o índice de reprovação ser igual], isso faz parte, temos que respeitar a opinião pública”, disse.

A conta do tucano, no entanto, é imprecisa. Na pesquisa Datafolha do primeiro ano de gestão de Haddad, 18% dos moradores classificaram o mandato petista como bom ou ótimo. No caso de Doria, são 29%.

O tucano também disse que irá trabalhar mais e ter mais foco na zeladoria, uma das áreas mais criticadas da atual gestão.

“Temos que melhorar a zeladoria urbana, temos que melhorar a Operação Tapa Buraco, como temos feito, e começamos agora no começo de novembro o programa Asfalto Novo, depois de muita dificuldade de recurso, e o Asfalto Novo é contínuo, vai até dezembro de 2018. Também conseguimos a ata do Tribunal de Contas do Município para o programa de recuperação dos semáforos. Tudo isso são respostas positivas para o clamor da população, que reproduz um pouco esse sentimento. Trabalhar, trabalhar e trabalhar, é o que nós temos que fazer”, disse o prefeito nesta terça (5) em Heliópolis, onde inaugurou 240 unidades habitacionais ao lado do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

“Vamos trabalhar mais e focar mais. O sentimento é de respeito pela opinião pública”, continuou o prefeito.

Doria indicou que a saída do vice-prefeito Bruno Covas da secretaria de Prefeituras Regionais foi feita já como resposta às críticas da população aos problemas de zeladoria.

“Desde o início de outubro fizemos mudanças na Prefeitura de São Paulo para melhorar o desempenho da zeladoria () O sinal é claro: temos que melhorar. Ativar as prefeituras regionais. Houve uma alteração, o Bruno Covas, excelente colaborador, agora cuida da parte política, e colocamos uma nova estrutura para melhorar a eficiência das 32 regionais”, afirmou.

Sobre a possibilidade de que sua corrida pela vaga de candidato do PSDB ao Palácio do Planalto tenha contribuído para sua queda de avaliação, ele desconversou. “Nunca manifestei essa disposição. Nosso foco é a cidade de São Paulo. É o cidadão, os habitantes da cidade de São Paulo, fazer aquilo que tem que ser feito. Cuidar bem da cidade, melhorar a qualidade da zeladoria, tapar buracos, colocar asfalto, atender a população na saúde e na habitação”, disse.

Doria ainda deu uma alfinetada em Haddad ao criticar o orçamento deixado pela gestão que o antecedeu.

“Foco e determinação. Esse foi o foco dado a todos os secretários e secretárias da prefeitura. Melhorar qualidade do nosso trabalho e atender a população. E é isso que estamos fazendo, agora com recursos que infelizmente faltaram no orçamento, que aliás foi elaborado pela gestão anterior. Agora estamos iniciando a partir de janeiro um orçamento realizado realisticamente pela Prefeitura de São Paulo e aí sim passaremos a ter não uma quantidade enorme de recursos, mas o suficiente para atender a zeladoria no que é mais básico e necessário para a população”, concluiu.

Após disputa no PSDB com seu padrinho político, Geraldo Alckmin, para a escolha do candidato do partido à Presidência da República no ano que vem, Doria acabou sofrendo desgastes –e não decolou nas pesquisas.

Agora, poderá tentar uma vaga ao governo de São Paulo –para isso, terá que sair do cargo antes do início de abril.

QUEDA

No caso de Haddad, o mergulho nas pesquisas em 2013 ocorreu após os protestos de junho daquele ano, quando milhares de pessoas foram às ruas do país com uma série de reivindicações contra a classe política. A avaliação negativa dele se manteve alta até o fim do mandato, no ano passado.

Já em relação a Doria, não há um fator único que possa explicar esse desgaste. Do início do ano até agora, a aprovação a Doria caiu 15 pontos percentuais (44% para 29%), enquanto a reprovação nesse mesmo período cresceu 26 pontos (13% para 39%). Somente nos últimos dois meses, sua rejeição subiu 13 pontos -ela estava em 26% no começo de outubro.

Ao longo do ano, a cidade seguiu convivendo com seus transtornos cotidianos, sem sinais claros de mudança em relação à gestão anterior, como as falhas de zeladoria.

São exemplos disso buracos nas ruas, semáforos apagados e praças e parques mal cuidados. Reportagem da Folha desta segunda (4) revelou que áreas vistoriadas e “ajeitadas” por Doria no início da gestão e alvo de propaganda do programa Cidade Linda estão novamente deterioradas.

EXPECTATIVA

Segundo o Datafolha, atingiu o ponto mais alto da gestão a taxa daqueles que declararam que o prefeito fez menos pela cidade do que se esperava. Agora, são 70% (eram 64% em outubro).

Para 17% dos moradores, Doria fez o que se esperava dele, ante 10% que consideram a atuação dele acima da expectativa. Especificamente sobre os bairros dos entrevistados, 83% dizem que Doria fez menos do que se esperava –só 4% dos entrevistados consideram acima do esperado.

Também nesse período de avanço da rejeição, o prefeito passou pela chamada “crise da farinata”, quando atropelou sua equipe ao anunciar a adoção de um complemento alimentar para a população pobre da cidade, produto feito à base de comida doada e próxima do vencimento.

Diante da repercussão negativa, Doria deu um passo atrás, mas logo em seguida anunciou a inclusão do mesmo produto na merenda escolar, sem que o secretário da área tivesse sido avisado. Teve de recuar de novo para, depois, abandonar a ideia.

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Henrique Barbosa