6 dez 2017

90% dos brasileiros acham que são ‘metade mais pobre’. E são, mesmo.

A Folha de S. Paulo publica hoje pesquisa da Oxfam sobre a percepção do brasileiro sobre a distribuição de renda no Brasil.

O foco é que brasileiros que teriam “alta renda” acham que se situam entre os mais pobres.

E que pessoas que têm renda de R$ 4.700 mensais – e estão, pelo puro critério de renda, entre os 10% mais bem remunerados do país – consideram-se na metade que ganha menos.

É daquelas distorções estatísticas convenientes.

É que a concentração de renda no país é tão forte que, mesmo pessoas que recebem um valor nada exorbitante, como aquele, ficam entre os “mais ricos”.

Os números mostram que a percepção popular está certíssima.

Em setembro, o Nexo Jornal publicou dados do World Wealth & Income Database, que mostram exatamente isso: 10% da população concentram mais da metade da renda nacional. Mas mesmo dentro deste grupo, a concentração é absurda, porque apenas um décimo deles, o 1% mais rico, fica com quase 3/5 desta maior fatia do bolo.

A visão tecnocrática de que a tributação e até a cobrança por serviços públicos à classe média são mecanismos de justiça distributiva é um erro – muitíssimo frequente entre nossos dirigentes – que retira suporte político de qualquer verdadeira iniciativa de tributação a quem tem muito.

Vejam o caso da CPMF, cuja defesa se tornou uma “heresia”, que se inviabilizou politicamente por não ter – ou pelo menos não ter feito conhecer a proposta que o estabeleceria – um “piso” de R$ 5 mil ou pouco mais, abaixo do qual não seria cobrada, com efeitos fiscais irrelevantes. Ou o de estabelecer a tributação de lucros e dividendos a partir de certo valor, excluindo aqueles que tivessem pequenas receitas provenientes de seus negócios próprios de microempresário.

O erro da política de elevação dos padrões de vida e consumo da pequena classe média não foi econômico, foi político-ideológico, porque se quis acreditar que isso levaria a um sentimento de empatia social e distensionamento do convívio, automaticamente.

Fernando Brito – Tijolaço

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Henrique Barbosa