18 fev 2020

Esporte ajuda a prevenir e tratar a depressão.

Estudos comprovam a eficácia das atividades físicas no tratamento

(Crédito: Divulgação)

Mais de 320 milhões de pessoas possuem depressão, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), e o número deve crescer cada vez mais. Entre 2005 e 2015, a taxa cresceu 18%, e a OMS apelou para que os países incluíssem o tema nas políticas públicas de saúde.

A solução, no entanto, pode não estar apenas na medicação e nas sessões de terapia. Estudos recentes publicados na revista do Conselho Federal de Educação Física comprovam que a atividade física regular oferece benefícios como bem-estar psicológico.

A pesquisa realizada na ala psiquiátrica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, pelo educador físico e doutor em psiquiatria Felipe Schuch, avaliou os benefícios da adição de exercícios na rotina de uma pessoa com depressão. Os participantes do levantamento precisaram fazer três sessões de aeróbicos por semana e ficaram internados.

Durante a prática de esportes, hormônios como a endorfina, associada ao prazer e a outros neurotransmissores que promovem a sensação de bem-estar, são liberados. Além disso, há estudos que mostram que as práticas também estimulam o crescimento de células no hipocampo, responsável pela memória e pelo humor. E é nisso que o estudo está pautado.

Ou seja, caminhar, andar de bicicleta e malhar ajudam a complementar o tratamento para depressão. “É provável que o efeito do exercício se aproxime muito ao dos antidepressivos”, conta o psiquiatra Marcelo Fleck, chefe do Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em entrevista à revista Saúde.

De acordo com Fleck, a prescrição desse método integrado à psicoterapia e aos medicamentos já é comum. “Hoje, em toda especialidade, qualquer médico vai listar uma série de benefícios das atividades esportivas. Na psiquiatria, isso se aplica à depressão”, diz.

No entanto, esse tratamento está ligado à regularidade das atividades, já que esses estímulos aos neurônios possuem efeitos duradouros a longo prazo. Para montar uma rotina de atividades, é importante procurar um profissional formado na faculdade de educação física, porque cada pessoa possui uma necessidade e uma carga de intensidade que devem ser definidas.

Isso porque a necessidade de quem está buscando esse tratamento não é, necessariamente, a perda de peso. “O treinador não deve criar a expectativa de que vai dar tudo certo. E não se pode cobrar que o paciente esteja sempre motivado”, afirma Schuch.

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Reinhard Allan Santos