A gravação foi transmitida à imprensa pela defesa de Parnas, que disse que o empresário encontrou o arquivo — registrado em formato de vídeo, embora a câmera aponte para o teto durante a maior parte do tempo — em seu iCloud.

Amigo de Giuliani há anos, Parnas agiu como intermediário entre o governo americano e promotores ucranianos, que foram pressionados a encontrar provas de que um filho de Biden, Hunter, teria cometido ilegalidades quando atuou no conselho de uma empresa ucraniana de gás, a Burisma, na época em que o pai era vice-presidente de Barack Obama.

Parnas disse que Trump “sabia exatamente” o que estava acontecendo na campanha de pressão contra a Ucrânia.

No áudio, Trump pede a demissão da embaixadora americana na Ucrânia, Marie Yovanovitch.

— Livrem-se dela! — afirmou. — Tirem ela amanhã. Eu não me importo. Tirem ela amanhã. Tirem ela. Ok? Façam isso.

O advogado de Parnas, Joseph A. Bondy, disse que divulgava o arquivo “em um esforço para esclarecer o povo americano e o Senado sobre a necessidade de conduzir um julgamento justo, com testemunhas e evidências”.

A divulgação aconteceu horas depois que os advogados do presidente começaram a apresentar sua defesa no julgamento de impeachment. Durante o dia, os democratas procuraram convencer os republicanos a apoiarem seus pedidos para permitir a convocação de novas testemunhas durante o processo.

Na gravação, Parnas, que é o mais falador da dupla de empresários e doadores, citou um acordo na área de energia que os dois tentavam concretizar na Ucrânia, e depois mencionou vários temas que se tornaram centrais na campanha de pressão.

Ele alegou que Yovanovitch estava menosprezando Trump, que os ucranianos “estavam apoiando os Clintons todos esses anos”, e até menciona de passagem a família do ex-vice-presidente Joe Bidden.

A gravação não parece apresentar novas informações substanciais sobre o esforço para demitir Yovanovitch.

Ela sugere, por outro lado, de onde veio o interesse de Trump pela questão, ao apontar que Parnas e Fruman passaram a acreditar que Yovanovitch se opunha aos seus planos de negócios na Ucrânia. A dupla foi presa em outubro do ano passado, acusada de integrar uma “complexa rede de interações financeiras e políticas que vinculam a diplomacia a supostas violações da lei de financiamento de campanhas”.

Bastidores revelados

A gravação também fornece um vislumbre de algo raramente visto: doadores políticos de primeira linha, tendo a chance, em um ambiente íntimo, de compartilhar suas opiniões com o presidente e tentar fazer avançar suas agendas com ele.

Os democratas buscam a destituição de Trump do cargo, alegando que ele abusou de seu poder pressionando a Ucrânia para investigar alvos do presidente, incluindo Biden e sua família.

Parnas e Fruman trabalharam em estreita colaboração com Giuliani na busca de informações e em contatos na Ucrânia para apoiar o esforço.

No começo do registro, antes de a câmera ser apontada para o teto, as imagens exibem Trump entrando na sala privada no Trump International Hotel em Washington em 30 de abril de 2018.

A existência, e parte da conversa na gravação, foi relatada pela primeira vez pelo ABC News na sexta-feira.

Na gravação completa divulgada no sábado, Parnas pode ser ouvido dizendo a Trump que ele e Fruman “estão no processo de compra de uma empresa de energia na Ucrânia no momento”.

Trump responde “Como está a Ucrânia?” E rapidamente acrescenta “não responda”, provocando risos na sala.

Após algumas conversas sobre a guerra da Ucrânia com seu vizinho hostil, a Rússia, e seus esforços para estabelecer a segurança energética, Trump perguntou:

— Quanto tempo eles durariam em uma luta com a Rússia?

— Acho que não muito — respondeu Parnas. — Sem nós, não muito tempo.

Parnas continuou dizendo que “o maior problema é a corrupção lá”, e mais tarde acrescentou Yovanovitch a uma lista de questões que Trump deveria abordar na Ucrânia.