14 jan 2020

Democracia em Vertigem não traz vida real.

Filme da diretora brasileira Petra Costa foi anunciado como concorrente ao Oscar 2020 de Melhor Documentário

O filme Democracia em Vertigem, da brasileira Petra Costa, que acaba de ser anunciado como concorrente ao Oscar de Melhor Documentário de 2020, tem um problema: não é um documentário. As cenas filmadas reproduzem fatos reais, e a narração descreve acontecimentos que realmente aconteceram, com personagens que realmente existem. Em suma: não é uma obra de ficção, saída da imaginação da diretora e de seus roteiristas.
Mas é isso, e só isso, que tem em comum com um documentário de verdade. O filme-candidato ao principal prêmio de Hollywood não documenta os fatos como eles ocorreram na vida real, e sim como são vistos pelos mandamentos ideológicos que a sua diretora se propõe a seguir. O resultado é um filme de propaganda política — mais um, entre tantos que são produzidos e financiados por grupos de interesse, partidos e governos por este mundo afora.

Falarão isso pelo resto da vida, sem dar um segundo de atenção aos fatos como eles realmente ocorreram. O filme tem recebido aplausos das classes intelectuais americanas, hoje envolvidas, curiosamente, num esforço supremo para conseguir o impeachment do presidente Donald Trump. É a visão clássica do “civilizado” em relação ao subdesenvolvido: nós podemos fazer coisas que vocês não podem.

Quanto às ameaças que a cineasta vê para a democracia no Brasil, diante do que considera o avanço de “uma epidemia de extrema direita”, fica faltando, mais uma vez a presença de realidades. Quais seriam, objetivamente, os atos contra a democracia que estariam sendo praticados aqui e agora? O documentário não oferece documentos a respeito.

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Henrique Barbosa