11 jan 2020

Chefe da Força Aérea do Irã assume responsabilidade por derrubar avião ucraniano.

Amirali Hajizadeh afirmou que aeronave foi confundida com míssil de cruzeiro e que preferia “morrer”

O Globo com agências internacionais

Iraniano segura jornal com foto dos destroços do avião ucraniano após governo assumir que derrubou aerovave por 'erro humano' Foto: ATTA KENARE / AFP

Iraniano segura jornal com foto dos destroços do avião ucraniano após governo assumir que derrubou aerovave por ‘erro humano’ Foto: ATTA KENARE / AFP

TEERÃ – O chefe da Força Aérea da Guarda Revolucionária, Amirali Hajizadeh, assumiu neste sábado a culpa pela tragédia do Boeing 737-800 da Ukraine International Airlines. Depois de dois dias de negativas, o Irã admitiu na manhã deste sábado em Teerã (início da madrugada no Brasil) que derrubou “por erro humano” o avião que caiu perto de Teerã na quarta-feira com 176 pessoas a bordo.

— Assumo total responsabilidade. Teria preferido morrer a testemunhar um acidente semelhante — disse Hajizadeh em comunicado transmitido pela televisão. Os 176 passageiros e a tripulação do avião morreram no acidente.

O militar iraniano afirmou que o avião ucraniano foi identificado erroneamente como um míssil de cruzeiro e foi abatido por um míssil de curto alcance.

Segundo Hajizadeh, um soldado disparou sem a confirmação de uma ordem de disparo devido à “interferência” nas comunicações. Ele teria tido “10 segundos” para decidir.

— Foi um míssil de curto alcance que explodiu próximo ao avião. Por esse motivo ele continuou voando por um tempo e explodiu quando tocou o chão.

‘Erro imperdoável’

O presidente do Irã, Hassan Rouhani, disse, pelo Twitter, que o país “lamenta profundamente” o incidente, que chamou de “grande tragédia” e “erro imperdoável”. “A investigação interna das Forças Armadas concluiu que lamentavelmente mísseis lançados por erro humano causaram o impacto terrível no avião e a morte de 176 pessoas inocentes”, afirmou Rouhani.

“Um dia triste. Conclusões preliminares de uma investigação interna das Forças Armadas: um erro humano em tempo de crise causada pelo aventureirismo americano levou ao desastre. Nossas profundas condolências e pedidos de desculpas ao nosso povo, às famílias das vítimas e às outras nações afetadas”, escreveu o chanceler do país, Javad Zarif, também pelo Twitter.

O comunicado divulgado pelos militares iranianos afirmou que o o avião “assumiu a posição de voo e a atitude de um alvo inimigo” ao se aproximar de uma base da Guarda Revolucionária. “Nessas circunstâncias, por causa de erro humano”, o avião “ficou sob fogo”, disse o comunicado.

O texto acrescentou que a pessoa responsável por derrubar o avião seria legalmente responsabilizada, e que os militares fariam “uma grande reforma operacional de todas as forças armadas” do país para garantir que o erro não se repita. A nota disse ainda que oficiais da Guarda Revolucionária iriam à TV para dar uma explicação completa sobre o ocorrido.

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Reinhard Allan Santos