9 nov 2019

Lula está SOLTO sim, LIVRE ainda não!.

Vocês, caros leitores, sabem a diferença entre um leão preso, solto e livre?

Por Henrique Barbosa e equipe do blog

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O leão preso é aquela fera do circo que vive confinada em sua jaula e que só vê o mundo externo quando entra no picadeiro para fazer o seu tristonho e sombrio espetáculo, voltando, assim que se encerra o seu show, ao seu recolhimento solitário e infeliz entre as grades que limita e tolhe os parcos sonhos que limitam-se à sua miserável vida.

O leão solto é aquele que vive num jardim zoológico amplo e arborizado, onde possui uma área própria para viver, uma companheira de infortúnio para lhe aquecer as patas, e  que, na maioria das vezes, vive num espaço que é maior do que muitas habitações humanas que existem fora daquele seu ambiente. Lá o nosso leão pode tomar sol, se exibir ao público curioso e impressionado que ali vai para admirá-lo, para se assustar petrificado com o seu rugido soberano e feroz, porém, no final do dia, esgotado e triste, ele volta com a sua alma aprisionada e atormentada para o seu infortúnio, que é a limitação das suas escolhas, das suas vontades e das suas decisões, já que ele é um prisioneiro que vive confinado às suas exíguas liberdades existenciais.

O leão livre não tem limitações. Dorme onde quer. Come a caça que estiver disponível no momento da sua fome. Ruge alto e forte sempre, lembrando aos amigos e inimigos que ele é o rei soberano da sua própria vida. O leão livre pode correr ou andar vagarosa e displicentemente se assim o quiser, ninguém dita o ritmo da sua vida. O leão livre não se limita à sua miserável condição de bicho ameaçado pela caça predatória, uma vez que: no seu território ele conhece os atalhos e os caminhos que sempre o levam à sua liberdade plena e absoluta.

Um dos mais belos e complexos espécimes de animal político produzido aqui no nosso País foi solto por determinação da mais alta instância da justiça nacional. Ele, após um estágio no picadeiro da política nacional, onde foi exaustivamente mostrado como o mais belo e poderoso troféu já trancafiado, explorado nas suas fragilidades humanas. Humilhado e subjugado, ao menos assim pensavam os seus algozes, o nosso animal se mostrou cada vez mais indócil, feroz e amedrontador do que quando era livre.

Astuto, sábio e conhecedor profundo da alma do seu povo, ele que surgiu nos estratos mais pobres e miseráveis da nossa sociedade, foi construindo a sua vida e a sua carreira com o objetivo único de dar vazão ao seu maior atributo: a veia política pulsante e viva. O espécime em questão cresceu, muitas vezes por força da sua própria luta, na nossa fauna política. Foi “verme insignificante” quando militou nos movimentos sindicais. Depois virou “inseto desprezível” quando fundou um “partideco” para chamar de seu. Alguns anos mais tarde ele virou (primeiro caso em que um espécime evoluía numa única vida para várias outras espécies) “sapo barbudo” e nesse momento percebeu-se que esse “bicho” era diferente, ele podia incomodar. Então vieram a pecha de bicho capaz de matar a cria da própria cria para que essa não atrapalhasse os seus planos (quem lembra de Lurian?) e esse estratagema lhe tirou uma eleição e o que sobreveio a isso todos recordam muito bem, afinal o “bicho maluco beleza” que assumiu o reinado da selva passava pouco de um abutre disfarçado de pavão. No momento seguinte, os tempos pós “obscurantismo collorido”, ele já havia se transformado num animal de porte relativamente grande, capaz de afrontar outros espécimes de linhagem e plumagem mais nobre e com pedigree político/intelectual, logo trataram de colocar o nosso animal político nas categorias mais baixas da nossa fauna política e o atribuíram a pecha de “gambá” atribuindo-lhe o mau hábito de beber água que passarinho não bebe, além de ser uma hiena desprezível para quem tudo era carniça. Por duas vezes ele tentou se despir das peles que os seus adversários o vestiam e por duas vezes quase ele chega lá.

Um belo dia, muitas mutações, evoluções e metamorfoses depois, eis que o “patinho feio” da política nacional virou um belo “cisne” e evoluindo, após beijos apaixonados do seu povo, de “ex-sapo barbudo” ele se fez “príncipe”. Abrandou a fúria do seu discurso, fez de um nobre o honorável vice que atestava aos seus pares que afinal o “predador” havia mudado para “melhor”. José Alencar teve o condão de transformar em palatável e fina iguaria aquele monte “de carne-de-charque” oriunda do mais bravo e miserável sertão do país, que sempre assustava os mais finos e refinados paladares nacionais.

O nosso bicho político finalmente virou um “leão”! Foi aclamado e amado pelo seu povo. Promoveu mudanças. Incluiu no seu programa de governo uma coisa que sempre era desprezada pelos seus antecessores e que agora voltou a ser por seus sucessores: o povo! Botou comida no “bucho dos famintos” e isso não era nada! Botou o povo para trabalhar e isso também não era nada! Fez a economia crescer e deu credibilidade internacional ao País, fazendo com que nas fotos oficiais do G7, G20, DAVOS, BRICS e outros menos importantes, o mandatário do Nosso País saísse no meio da foto, em posição privilegiada, ao lado dos líderes mais importantes do planeta, e que agora, infelizmente, voltou para a eterna e deprimente periferia de sempre.

Enquanto ele e o País colecionavam glórias mundo afora, lá nos recônditos da selva política nacional, as hienas, bichos peçonhentos e parasitas inconformados, gestavam planos e maneiras de se acabar com aquela “farra”, afinal o “Leão” poderia se transformar num verdadeiro “Rei”, e com as graças do povo seria de se perpetuar no poder. Como então tolher tão ardiloso e escabroso animal? Lá no fundo alguém sussurrou timidamente “enjaular a fera”! EUREKA! O resto é história, se bem que a oficial é conversa pra boi dormir, convenhamos.

Após brilhante e cara campanha publicitária cívica/emocional/jurídica o nosso animal político voltou aos tempos de “verme insignificante”. Foi apedrejado moralmente, escorraçado, banido do convívio social e finalmente preso por decisão da justiça (devidamente ensaiada e afinada para esse fim) o “ex-leão” é recolhido a uma jaula fria e solitária. O bicho-papão morreu! O perigo vermelho acabou! A corrupção (seletiva ou será a conveniente?) acabou! A liga da justiça botou todos os malfeitores da galáxia no xilindró, Oh Glória! Os bons tempos das virtudes vis, hipócritas, mesquinhas, egoístas e pequenas estão de volta! A família está de volta (qual delas? A que gerou o número 01, 02, 03, 04 ou 05? Deixa isso pra lá, família, Deus e costume é tudo de bom!) e com ela a moralidade e a honestidade (Frota, Queiroz, Álvaro, FBC, Flávio?). O brasileiro pode voltar a sonhar! Nós vamos fazer com que o brasileiro se sinta um americano dos EUA. Vamos começar dando uma ARMA pra cada. Vamos enaltecer e valorizar o mérito pessoal… quem souber FRITAR HAMBURGUER…. Opa, essa história pertence a um outro bicho, que aliás dizem por aí, foi produzido em laboratório, com o uso de muita tecnologia. Será?

Voltando para o nosso espécime preso, numa tentativa desesperada de conceder-lhe uma liberdade um tanto canhestra, os seus algozes quiseram apelar para os benefícios jurídicos assegurados pela Lei e logo lembraram que existia a progressão de pena. Num gesto de grandiloquente e inequívoca bondade “exigiram” que ele fosse solto, afinal os “CAIFASES” DE PLANTÃO não estavam ali para ferir a soberania da Lei.

O nosso espécime matreiramente recusou-se a ser “livre”. Safo que é, não queria ser o prato principal do banquete que os seus algozes queriam servir ao povo e disse: “SÓ SAIO DAQUI COM A MINHA INOCÊNCIA RECONHECIDA!”. Foi desespero “inocente” e “tresloucado”? Não! Foi puro instinto político de sobrevivência de quem conhece a selva em que vive como ninguém. Ele não queria ser o prato principal desse banquete e nem tampouco se contentaria com as migalhas e com os sobejos dos seus juízes. Ele queria ser o centro das atenções, queria ser a estrela principal dessa ópera bufa, dessa comédia sem graça armada para uns poucos rirem e esses estão rindo muito disso tudo. TAXA SELIC lá embaixo! DÓLAR lá em cima! O ÍNDICE BOVESPA disparando! O PIB….deixa pra lá… A TAXA DE DESEMPREGO… bom… O LEILÃO DO PRÉ-SAL… tá bom foi a PETROBRAS quem comprou tudo, e daí? O governo é dono dela também? Bem… bem, o Brasil se livrou da corrupção, tá ok?

Finalmente o LEÃO ESTÁ SOLTO! O STF decidiu “desdecidir” o que já havia decidido quando não era conveniente decidir. Portanto, não sendo contra e nem tampouco a favor, os “EXLECENTÍSSISSIMOS”, “ALTÍSSISSIMOS”, “ELEGANTESSÍSSIMOS”, “ÍSSISSISSÍMOS” “DOUTORÍSSISSIMOS” “JUIZESSÍSSIMOS”decidiram que “Tudo Deveria Voltar a Ser Como Dantes no Quartel de Abrantes” e “desdecidiram” em desfavor do que haviam decidido, num passado recente, em favor, antes. Entenderam? Não? Deixa pra lá, nem eles entenderam até agora porque se deixaram chegar a esse momento trágico e patético da vida política nacional. Resumo da Ópera: SOLTA A FERA!

O “leão” está SOLTO sim, porém poderá não ser LIVRE nunca mais. Explico: o nosso espécime está solto, não precisa mais se limitar ao espaço físico que as grades lhe impunham. Ele agora pode correr pelos campos. Pode ir do Norte ao Sul, de Leste à Oeste sem limitações, uma vez que ele não está gozando da progressão de pena, que a caráter considerava-o um condenado cumprindo a sua pena. O nosso espécime foi solto por um entendimento do STF, que é verdadeiro e já existia muito antes da condenação, para falar a verdade desde a promulgação da Constituição de 1988, de que qualquer cidadão é inocente até que se prove o contrário, ou seja: que condenado é aquele que tenha a sua sentença transitada em julgado, o que convenhamos ainda não ocorreu no caso do nosso espécime. Sendo assim, é sempre bom lembrar que ele não foi inocentado e nem tampouco está livre das acusações, e consequentemente, dos processos a que responde.

Deixando as querelas, armadilhas, chicanas, penduricalhos e contorcionismos jurídicos de lado, uma questão preocupante tem que ser levantada: e agora, o que poderá acontecer no Brasil após tudo isso? O cenário é extremamente preocupante. De um lado temos uma parcela da população beligerante que namora ideias truculentas de exceção, como por exemplo, se fechar o Congresso Nacional e o STF, além de dotar o País de um regime que governe com pulso forte e firme assuma os destinos do País com rigor e vigor, e que votou no presidente que ora nos governa legítima e aos trancos e barrancos democraticamente. Essa ala da sociedade de certa forma sabe que elegeu, desde a campanha de 2018, um forte candidato a DITADOR DE PLANTÃO que tem governado sempre com ameaças e intimidações, não aceitando argumentos contrários e nem tampouco posicionamentos com os quais ele sequer imagina ouvir, aceitar e/ou conviver. Essas pessoas são radicais extremistas, capazes de lançar mão de TODOS e QUAISQUER artifícios para atingirem os seus objetivos, até mesmo planejar lançar bombas em campanhas de reajustes salariais, mesmo que isso seja tática de esquerdopata e/ou sociopata canalha.

Do outro lado temos uma parcela enorme da população que vem convivendo anos a fio com demanda sociais reprimidas e a sistemática negação ou sonegação de direitos básicos, que ora foram reprimidos, ou ora foram simplesmente subtraídos. É o choque latente dessas duas manadas enfurecidas que tem que ser controlada e conduzida com bom senso e responsabilidade. Essa gente sofrida pode sim virar massa de manobra enfurecida nas mãos e sob o comando de algum “espertalhão aproveitador”, desses que só pensam no bem comum e no conforto do seu povo, desde que esse povo seja limitado aos seus diretamente e a alguns parceiros e apaniguados companheiros.

Os dois líderes dessas vertentes precisam ter a consciência de que tudo que possa vir a acontecer passa necessariamente por eles. Eles podem conter ou insuflar essas massas. Eles podem moderar ou radicalizar, enfim, só eles podem decidir pela guerra perniciosa que punirá a todos sem distinção, ou pela paz que com certeza contempla a todos. Não obstante as suas escolhas, o fato é que o futuro do País está literalmente nas mãos desses senhores.

Todas as brasileiras e todos os brasileiros, os que são contra ou que são a favor de Lula precisam ter a consciência de que ele está solto, porém a liberdade dele só virá (e se ela vier) só após o mesmo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, que proporcionou a sua soltura, definir de uma vez por todas que ele é culpado e considerar a SUA SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO. Dessa forma, até lá, LULA estará SOLTO, sem dúvidas, e não LIVRE, com certeza.

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Reinhard Allan Santos