8 nov 2019

Lula solto deve ter reforço de segurança.

Petista não vai cair em provocações de Bolsonaro e pedirá união, diz Gilberto Carvalho

SÃO PAULO/FSP

O PT está preocupado com a possibilidade de um ataque ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após sua provável soltura nos próximos dias, e está providenciando um reforço em sua segurança tão logo deixe a sede da Polícia Federal no Paraná, em Curitiba.

“É evidente que vamos tomar muito cuidado. Há muita conversa entre nós sobre a necessidade de reforço da segurança pessoal dele [Lula], sobretudo nesse momento que algumas reações são muito doidas. Temos uma preocupação com essa questão”, disse Gilberto Carvalho, que foi chefe de gabinete de Lula na Presidência e é um dos dirigentes petistas mais próximos a ele.

Nesta sexta-feira, após reunião com Lula na PF, o advogado Cristiano Zanin anunciou que já deu entrada na Justiça Federal com um pedido de soltura imediata do líder petista. A iniciativa da defesa do ex-presidente ocorre após a decisão do Supremo Tribunal Federal desta quinta-feira (7).

Mulher vende camisetas com a imagem de Lula em frente à sede da Polícia Federal, em Curitiba (PR) – Henry Milleo/AFP

O PT já tem um roteiro para os primeiros dias de Lula em liberdade. Se confirmada sua saída da prisão, ele fará um breve discurso a seus apoiadores que mantiveram vigília em frente à PF desde a prisão, em abril do ano passado.

A visita aos petistas Delúbio Soares e João Vaccari na sede da CUT paranaense, onde trabalham, é improvável, por questões logísticas. Lula então viajaria a São Bernardo do Campo (SP), provavelmente em avião fretado pelo PT.

A ideia é dar duas noites de sossego para ele, até a realização de um ato neste domingo (10), em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Seria um evento cheio de simbolismo, uma vez que foi lá que ele falou pela última vez aos apoiadores antes de ser preso.

A atuação do ex-presidente nos próximos meses também está em estudo. Há o planejamento de que Lula faça uma caravana pelo Nordeste, mas isso deve ficar para o ano que vem.

Neste ano, o ex-presidente deve fazer alguma visita pontual a uma ou mais capitais nordestinas, além de participar do congresso do PT, que ocorrerá em São Paulo, de 22 a 24 de novembro.

O tom de suas falas, segundo o dirigente petista, será sobre a necessidade de unir o país, e não de vingança. Uma exceção será a crítica à Lava Jato, especialmente ao ministro da Justiça, Sergio Moro, ex-juiz federal que o condenou à prisão no caso do tríplex de Guarujá. “Ele não vai deixar de xingar o Moro, mas de maneira geral, não tem essa coisa de vingança, do ódio”, declarou.

A principal preocupação do ex-presidente, segundo seu ex-chefe de gabinete, será de ter um discurso marcadamente de esquerda em alguns temas.

“Mas não é mais à esquerda no sentido de ser leninista, ou trotskista. É na linha de defender a inclusão dos mais pobres no Orçamento federal, e de denunciar que querem vender o país. São essas duas bandeiras que ele vai abraçar mais”, disse.

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Henrique Barbosa