16 out 2019

Ex-assessor diz que Gil Diniz queria gratificações e mais R$ 5 mil por mês.

Alexandre Junqueira afirmou ao GLOBO que o deputado, conhecido como ‘Carteiro Reaça”, exigiu parte de seus vencimentos

Juliana Dal Piva

Gil Diniz, líder do PSL na Alesp, é acusado por ex-assessor de praticar 'rachadinha' em seu gabinete Foto: Divulgação/ Alesp

Gil Diniz, líder do PSL na Alesp, é acusado por ex-assessor de praticar ‘rachadinha’ em seu gabinete Foto: Divulgação/ Alesp

RIO — Alexandre Junqueira, ex-assessor do deputado estadual Gil Diniz — eleito ano passado com o apelido de “Carteiro Reaça” e hoje líder do PSL na Assembleia Legislativa de São Paulo  afirmou ao GLOBO que foi o próprio deputado que pediu a devolução de parte de seu salário logo nos primeiros dias em que ele começou a trabalhar no gabinete dele. Segundo Junqueira, o deputado pediu que devolvesse R$ 5 mil do salário e disse que o assessor só receberia as gratificações caso concordasse em entregar o valor. Junqueira entrou nesta terça-feira com representação no Ministério Público de São Paulo em que acusa o parlamentar de praticar ” rachadinha “, como é conhecido o esquema em que parlamentares se apropriaam de parte dos salários dos funcionários lotados no gabinete. Gil Diniz nega as acusações.

 Na verdade, ele queria as Geds que são gratificações, e ele queria uma parte do meu salário também  disse Junqueira ao GLOBO.

Segundo ele, as gratificações giram em torno de R$ 5 mil, e cada gabinete possui duas ou três.

 Todas voltam para o deputado  disse.

Junqueira disse que no começo da conversa sobre o pedido de devolução de parte do salário, o deputado teria pedido apenas uma contribuição voluntária para caixa de campanha. Depois, pediu devolução das gratificações. Ao final, já estava pedindo ainda R$ 5 mil do salário.

— Ele queria as geds (gratificações) mais uns 5 mil por mês do salário — disse.

Segundo Junqueira, as gratificações são pagas em uma espécie de rodízio entre os funcionários. O ex-assessor diz que não recebeu gratificações, porque não aceitaria devolver os valores. Desse modo, foi afastado 14 dias depois do ter sido nomeado em 18 de março. No entanto, permaneceu nomeado, mas sem receber tarefas. Ele acabou exonerado em 31 de julho.

— Não recebi nenhuma ‘ged’ (gratificação), porque não participei (do esquema) — afirmou.

Ele disse que decidiu denunciar, porque “esses caras só pensam em roubar”.

— Decidi denunciar, porque não foi para isso que eu lutei. Eu queria ver esses caras fazerem isso na Indonésia. Já estariam todos fuzilados É revoltante. Viu a forma que o nosso país está. E esses caras só pensam em roubar, roubar e roubar — afirmou Junqueira.

O salário bruto dele na Alesp era de R$ 12 mil e outros R$ 999 de vale-alimentação.

Junqueira relatou que começou a trabalhar com o deputado seis meses antes de sua nomeação, ainda no ano passado e trabalhava voluntariamente.

—  Comecei a trabalhar bem antes e de graça. Foram todos os meses depois do deputado eleito, mais ou menos 6 meses —  contou.

A função de Junqueira seria de assessor especial, e suas funções diárias seriam para acompanhar as atividades do deputado.

—  Isso não aconteceu. Eu fui afastado do gabinete, e não me deram nenhuma função. Eu ia uma vez por semana só pra assinar o livro —  disse.

Outro lado

Em nota distribuída por sua assessoria na noite desta terça-feira, Diniz atribuiu a acusação ao fato de seu nome surgir como possível candidato do partido à prefeitura de São Paulo: “É importante notar que este ataque surge quando coloquei meu nome à disposição para a disputa pela Prefeitura de São Paulo, no momento em que alcancei projeção no papel de crítico ferrenho do governador João Doria e como um aliado próximo do presidente Jair Bolsonaro em São Paulo”, diz ele, acrescentando que “a falsa acusação vem de alguém que se mostrou inapto para o trabalho parlamentar e de representação e que, convenientemente, viajou para Indonésia, em outro continente, dias antes de decidir distribuir suas mentiras”.

Diniz é um dos políticos mais próximos da família Bolsonaro, tido como uma espécie de filho 06 do presidente Jair Bolsonaro, de quem seria braço direito.

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Reinhard Allan Santos