10 out 2019

UPE, maior e mais conceituada universidade estadual de Pernambuco, pode deixar o Sisu.

Atualmente, metade dos calouros da UPE (1.740 jovens) ingressam pelo sistema

A UPE aderiu ao Sisu em 2015 e conforme Pedro Falcão, nunca recebeu verba da União para apoiar os estudantes. “Minha proposta é que todas as universidades estaduais deixem o Sisu”, diz. / Foto: Divulgação / UPE

A UPE aderiu ao Sisu em 2015 e conforme Pedro Falcão, nunca recebeu verba da União para apoiar os estudantes. “Minha proposta é que todas as universidades estaduais deixem o Sisu”, diz. Foto: Divulgação / UPE

Margarida Azevedo

Universidades estaduais cogitam retirar vagas do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), plataforma online coordenada pelo Ministério da Educação (MEC) que usa a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e substitui os vestibulares na maioria das instituições de ensino superior do Brasil. Uma das propostas, apresentada pelo reitor da Universidade de Pernambuco (UPE), Pedro Falcão, é a saída em bloco de todas as universidades estaduais do Sisu. Atualmente, metade dos calouros da UPE (1.740 jovens) ingressam pelo sistema. A outra metade é aprovada no Sistema Seriado de Avaliação (SSA), seleção organizada pela própria universidade.

O assunto será discutido pela Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (Abruem) durante o 65º Fórum Nacional de Reitores da Abruem. O encontro será no Maranhão entre os dias 23 e 26 de outubro. A entidade tem 46 afiliadas, das quais 39 são estaduais. Dessas, pelo menos 17 participam do Sisu, disponibilizando 100% das vagas de graduações na plataforma ou apenas um percentual dos ingressos. Em Pernambuco, além da UPE, integram o sistema as três universidades federais (UFPE, UFRPE e Univasf) e os dois institutos federais (IFPE e IF do Sertão).

“Há uma forte tendência de diminuição da oferta de vagas, no Sisu, das universidades estaduais. Mas ressalto que isso depende de cada instituição, que submete a decisão ao seu conselho universitário. O tema será discutido no Maranhão com todos os reitores da Abruem. Faremos uma reflexão conjunta”, afirma o presidente da entidade e reitor da Universidade Estadual da Paraíba, Rangel Júnior.

Segundo ele, três fatores corroboram para isso: o aumento da evasão, a insegurança em relação ao Enem e o não repasse de verbas, por parte do MEC, para assistência estudantil. “Percebemos que muitos estudantes se matriculam e depois desistem. Há casos também de universidades que precisam fazer várias chamadas do Sisu para preencher as vagas. No caso da UEPB, por exemplo, já chegamos a realizar 15 chamadas”, observa Rangel.

Ele diz que as estaduais estão atentas ao Enem. “É um exame importante, de qualidade e que ajudou a modificar o ensino médio brasileiro. Mas foram muitas mudanças no Inep. Essa instabilidade nos preocupa”, comenta o presidente da Abruem.

Sobre a assistência estudantil, Rangel diz que desde 2015 as universidades estaduais não recebem dinheiro federal. “Uma das vantagens colocadas pelo MEC para adesão ao Sisu era o apoio financeiro para assistência estudantil. Mas isso só aconteceu até 2014. Fortalecemos o sistema nacional com as nossas vagas mas não temos nenhuma contrapartida do governo federal para continuar nele”, destaca o reitor da UEPB.

A UPE aderiu ao Sisu em 2015 e conforme Pedro Falcão, nunca recebeu verba da União para apoiar os estudantes. “Minha proposta é que todas as universidades estaduais deixem o Sisu”, diz. Ele ressalta, entretanto, que caso isso ocorra na UPE não valerá para os estudantes que vão ingressar ano que vem. “Se a mudança ocorrer será para preenchimento das vagas de 2021”, assegura Pedro Falcão.

Federais

Pró-reitores da UFPE, UFRPE e Univasf garantem que as três instituições vão continuar no Sisu. “Uma nova gestão vai assumir a UFPE. Mas não há qualquer indicativo de saída do Sisu”, diz o pró-reitor acadêmico, Paulo Goes. O reitorado de Anísio Brasileiro acaba sábado. A pró-reitora de ensino de graduação da Rural, Socorro Oliveira, informa que as regras de ingresso estão mantidas, inclusive com os mesmos pesos adotados no último Sisu. “Até o momento não houve nenhuma proposta de alteração da forma de acesso à Univasf”, explica a pró-reitora de ensino da Univasf, Monica Tomé.

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Reinhard Allan Santos