14 set 2019

Witzel plagiou seis autores em dissertação de mestrado, diz site.

O governador Wilson Witzel plagiou pelo menos 63 parágrafos de seis autores diferentes em sua dissertação de mestrado

O governador Wilson Witzel plagiou pelo menos 63 parágrafos de seis autores diferentes em sua dissertação de mestrado Foto: Guito Moreto

O governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), envolveu-se em nova controvérsia em relação a seus títulos acadêmicos. Segundo reportagem da BBC Brasil, Witzel plagiou pelo menos 63 parágrafos de seis autores diferentes em sua dissertação de mestrado, defendida na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em 2010. Em maio, O GLOBO revelou que o governador mentira sobre ter realizado parte do seu doutorado na Universidade Harvard, conforme constava em seu currículo Lattes.

Segundo o site, cinco dos seis autores copiados por Witzel sequer aparecem nas referências bibliográficas, um requisito obrigatório em trabalhos acadêmicos. O sexto teria sido citado em obra diferente da que foi usada.

19 página plagiadas

Há vários trechos na dissertação nos quais o governador reproduz parágrafos idênticos aos dos títulos plagiados sem fazer qualquer citação direta, como seria obrigatório. É o caso de um artigo de dois estagiários da divisão gaúcha da Advocacia Geral da União (AGU), Renato Braga Vinhas e Filipe Loureiro Santos, intitulado “A competência absoluta e o princípio da proporcionalidade”, publicada em 2005.

O trecho “A competência ratione materiae (em razão da matéria) é aquela que se refere à natureza da causa, podendo ser vista sob duas vertentes” é copiado sem qualquer mudança na dissertação do então juiz, um dos 11 parágrafos que foram reproduzidos integralmente, segundo o site. A BBC ouviu especialistas em plágios acadêmicos que confirmaram as irregularidades no trabalho de Witzel.

A dissertação, orientada pelo docente Jader Ferreira Guimarães, tem como título “Medida Cautelar Fiscal” e soma 139 páginas, incluindo índices e referências. De acordo com a BBC, o trabalho tem 118 páginas de desenvolvimento teórico, dos quais 16%, ou 19 páginas, seriam fruto de plágio.

Procurada pelo GLOBO, a assessoria do governo do Rio afirmou que “os trechos citados exemplificam a dissertação de mestrado apresentada pelo governador Wilson Witzel em 2010, que foi aprovada pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)”. A nota segue: “Como toda obra acadêmica, a tese de Witzel se utiliza de citações de diferentes autores e fontes que compõem a abordagem teórica sobre o tema”.

O GLOBO verificou as citações citadas pela BBC Brasil e confirmou que são idênticas ou muito similares às usadas pelo então mestrando. Parágrafos tiveram palavras pontualmente substituídas, sem alterar a estrutura do original. Neste caso, seria necessário fazer citações indiretas, o que também não foi feito por Witzel. Os autores, ainda assim, deveriam ser identificados na bibliografia.

Relembre a polêmica do doutorado

Há três meses, Witzel reconheceu ter incluído indevidamente na plataforma Lattes uma passagem pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos, durante o seu doutorado, no formato “sanduíche”. O governador chegou a incluir o professor que o teria orientado na instituição americana, Mark Tushnet.

Na ocasião, alegou que a inclusão de Harvard refletia a intenção de cursar parte do doutorado na universidade, o que não se concretizou. O governador apresentou sua tese de doutorado no fim de agosto por videoconferência, após a ocorrência de protestos durante a banca de qualificação duas semanas antes.

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Reinhard Allan Santos