22 maio 2019

QUEM É O SANFONEIRO PERNAMBUCANO NO COMANDO DA EMBRATUR.

Músico e dono de pousada, Gilson Machado Neto foi multado por instalação de barracas em área de preservação ambiental

Matheus Rocha

Gilson Neto e Jair Bolsonaro Foto: Reprodução/YouTube / Reprodução/YouTube

Gilson Neto e Jair Bolsonaro Foto: Reprodução/YouTube / Reprodução/YouTube

O médico veterinário Gilson Machado Neto assumiu a presidência do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) depois de uma passagem-relâmpago — de apenas uma semana — de seu antecessor Paulo Senise.  Apoiador de Jair Bolsonaro, Neto é conhecido por ter atuado como sanfoneiro na banda de forró Brucelose. Em janeiro, ao assumir a Secretaria de Ecoturismo do Ministério do Meio Ambiente (MMA), veio a público a notícia de que ele foi autuado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Neto, que é dono de uma pousada em área de proteção ambiental, foi multado em R$ 3.500 por descumprir regras de turismo sustentável. Ainda em janeiro, o analista ambiental que multou o sanfoneiro foi exonerado da chefia da área de proteção ambiental Costa dos Corais.

Em entrevista a ÉPOCA, Neto comenta sobre o processo e destaca seus planos para a Embratur.

O senhor foi autuado por instalar barracas em uma reserva de proteção ambiental. De que forma responde a isso? 

Essa notificação chegou e me defendi administrativamente. A conclusão foi que houve erro do fiscal, que não estava ciente da legislação local de São Miguel dos Milagres. Minhas barracas são removíveis, e é assim que a legislação diz que pode ser. Não tive de pagar multa alguma, pois provei o erro, e vocês podem conferir no procedimento e também na lei. O problema é que as pessoas se interessam em ver o circo pegar fogo e não apuram no que resultaram os fatos. Injustiças existem, e é para isso que o processo acontece, para elucidar os fatos e dar a verdade ao povo.

O Brasil atrai anualmente por volta de 6,5 milhões de turistas, número considerado baixo em razão das dimensões do país. Para o senhor, por que isso acontece e como essa situação pode ser revertida? 

Sentimos muito a falta de articulação entre os poderes públicos para desburocratizar e estimular o aumento do fluxo turístico no Brasil. Por isso, faremos vários workshops para que o trabalho entre os agentes públicos possa ser fomentado. Queremos atrair parceria com parques, equipamentos e clubes náuticos como marinas, estátuas, monumentos de afundamentos de navios e aviões de guerra, museus submersos, campeonatos de pesca, locais para a contemplação da natureza e biodiversidade. Vamos incentivar o turismo de mergulho que é muito forte ao redor do mundo e deixa grandes recursos, já que o turista de mergulho tem de passar no mínimo sete dias no destino em decorrência de preparação e recuperação física. O Brasil também é muito rico em turismo religioso. Temos vários templos, igrejas, locais de oração e meditação, retiros espirituais, grandes santuários que permitem contato com a natureza, eventos religiosos, hotéis e pousadas dentro de locais sacros, além de cidades de grande peregrinação. O turismo esportivo ligado à natureza encontra no Brasil a paisagem perfeita para diversas atividades: em terra, água e ar. O mundo precisa ver nosso país como local ideal para competições esportivas.

Quais são os planos do senhor para a Embratur? 

Quero eliminar o máximo de barreiras que atrapalham o turismo nacional. Em minha experiência fora do país, pude perceber que alguns entraves desnecessários causam a perda de uma massa de turistas. Quero também sair da mesmice e utilizar ao máximo facilidades tecnológicas para desbravamento do mercado, promoção dos destinos diversos e belos que o país oferece, publicidade, merchandising em polos emissores e eventos internacionais, fazendo do Brasil o grande desejo dos turistas internacionais. O Brasil é o primeiro do mundo em potencialidades turísticas e belezas naturais, segundo a ONU, e amarga posição vergonhosa entre as grandes potências do turismo mundial.

Em sua avaliação, quais são os principais gargalos do setor turístico brasileiro e como eles podem ser eliminados? 

Gargalos são os altos preços das passagens aéreas, a questão da segurança que já estamos com projetos para resolver com tecnologia e profissionais especializados, e a questão da infraestrutura, de acessibilidade para pessoas com deficiência e idosos, conectividade e profissionalização. Não é possível que destinos como Foz do Iguaçu não tenham internet livre. É a grande forma de propagação dos destinos: dar acesso à internet também para facilitar a divulgação do destino nas redes sociais. Queremos abrir o nosso espaço aéreo comercial para as grandes companhias dos países de Primeiro Mundo, que seguem regras rigorosas de compliance e que terão de atender linhas de grandes cidades e capitais,mas também o espaço de trânsito regional. Pretendemos reunir esforços para diminuir a carga tributária no que diz respeito às passagens para idosos, que já são uma categoria de turistas tão desejada pelos destinos do mundo. Podemos também trabalhar com o Legislativo e Judiciário para a liberação de mais navios de cruzeiros para chegada e parada nos portos, gerando milhões de dólares adicionais para empresas brasileiras.

O incentivo ao turismo da população LGBT foi retirado do plano nacional de turismo. Como o senhor enxerga esse quadro? 

Não acho que deva existir diferenciação de destino ou roteiro em razão da orientação sexual das pessoas. Queremos turistas, pessoas, todos eles. Trataremos com igual comunicação e receptividade todas as pessoas, independentemente dessa questão.

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Reinhard Allan Santos