9 maio 2019

Guedes bate-boca e cita dólares na cueca do PT: ‘Depois das seis horas, a baixaria começa’.

Ministro respondeu a provocações sobre seu envolvimento em investigação sobre fundos de pensão

Marcello Corrêa e Geralda Doca

Paulo Guedes, ministro da Economia, durante audiencia publica na comissao especial da Câmara para debater a reforma da Previdência Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo

Paulo Guedes, ministro da Economia, durante audiência publica na comissão especial da Câmara para debater a reforma da Previdência Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo

BRASÍLIA — Depois de mais de quatro horas de debate , um bate-boca entre o ministro da Economia , Paulo Guedes , e parlamentares quebrou o clima de tranquilidade na audiência sobre reforma da Previdência na Câmara dos Deputados . O momento de tensão ocorreu após a deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) ter feito referência a uma investigação da operação Greenfield, sobre fundos de pensão, que cita Guedes.

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O ministro também se sentiu ameaçado pela fala do deputado Ivan Valente (PSOL-SP), que o acusou de crime de responsabilidade por não apresentar detalhes sobre o custo de transição para o sistema de capitalização.

— Depois de umas seis horas, a escalada fica um pouco mais pessoal. Estou sendo ameaçado de crime de responsabilidade, estão entrando no Google para pegar coisas minhas. Já estou compreendendo um pouco mais como funciona a Casa. Não vou reagir nem à ameaça, nem à ofensa — disse Guedes, se confundindo ao citar a duração da sessão.

Na sequência, no entanto, o ministro começou a responder as provocações:

— Para a deputada Perpétua, depois vou para um canto e explico para ela o problema de quando tentam confundir quem assaltou… Vai na operação Greenfield, quem está na cadeia, quem está na Justiça, e vai ver quem  assaltou os fundos de pensão e quem devolveu três vezes o dinheiro que eles botaram. Não posso ser acusado do que vários companheiros da deputada podem estar sendo acusados.

A tensão escalou ainda mais quando Guedes foi responder a uma pergunta do deputado José Guimarães (PT-CE), que havia questionado sobre o custo de transição para o regime de capitalização proposto pelo governo.

— O custo de transição, respondendo ao nosso deputado José Guimarães… Também se eu “Googlar” dinheiro na cueca vai aparecer coisa, né? Depois de seis horas a baixaria começa, né? É o padrão da casa, né? Ofensa… Já entendi o padrão — disse o ministro, provocando uma indignação generalizada no plenário.

Ministro pede desculpa

O presidente da comissão especial, Marcelo Ramos (PR-AM) precisou intervir e concedeu o direito de resposta a Guimarães, que negou envolvimento ao caso dos dólares na cueca flagrados com um assessor do parlamentar, no auge do escândalo do mensalão. O deputado, no entanto, foi absolvido das acusações pelo Supremo Tribunal Federal e destacou isso em sua resposta:

— Informo a Vossa Excelência que talvez seja um dos poucos que não tenho nenhum processo no STF, porque fui inocentado em todos, naquele processo dos dólares na cueca a que vossa excelência fez referência. Poderia ter mais zelo com o cargo que exerce de ministro da Economia.

Guedes reconheceu o erro e pediu desculpas:

— Faço questão de publicamente pedir desculpas ao deputado, por uma razão muito simples. Acho que quem respeita merece ser respeitado. O senhor realmente não me desrespeitou. Fui desrespeitado por outra pessoa. Eu, talvez tanto quanto o senhor, somos absolutamente inocentes, por que a Justiça diz isso.

No intervalo, o ministro foi até à bancada do deputado Ivan Valente (Psol-SP) e admitiu que não tem experiência no Parlamento, segundo o deputado. Mais cedo, Valente, num ato simbólico, levantou um enorme cheque em branco para protestar contra o fato de a equipe econômica não ter apresentado os números sobre o custo da capitalização. O deputado disse que o ministro poderia ser acusado por crime de responsabilidade ao se  recusar a entregar os dados. Ele disse que Guedes teria dito em um evento no Banco Central que já tem todos os cálculo de transição para o novo modelo e que, por isso, a economia com a reforma teria que ficar na casa de R$ 1 trilhão em 10 anos.

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Reinhard Allan Santos