8 maio 2019

Bolsonaro defende reforma e diz que já tem votos para aprová-la no Congresso.

Em entrevista a Rede TV, presidente negou que o governo vá ceder ao tomá-lá-da-cá para passar a proposta

Gustavo Schimitt

O presidente Jair Bolsonaro é entrevistado por Luciana Gimenez Foto: Divulgação

O presidente Jair Bolsonaro é entrevistado por Luciana Gimenez Foto: Divulgação

SÃO PAULO — O presidente Jair Bolsonaro disse acreditar que o governo já tem os votos suficientes de parlamentares para aprovar no congresso a reforma da Previdência. A declaração foi feita em entrevista à apresentadora Luciana Gimenez, exibida na noite desta terça-feira na Rede TV. No programa, o presidente fez uma defesa do projeto e disse que a reforma é necessária para “salvar o Brasil”. Ele negou que o governo vá ceder ao tomá-lá-da-cá para passar a proposta.

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— Hoje em dia temos mais de 300 parlamentares dispostos a aderir. Não é um projeto meu do meu governo, mas do Brasil(…). Precisamos aprovar a reforma pra que as futuras gerações possam se aposentar.  — disse Bolsonaro. —  Hoje acredito que já temos os votos suficientes pra aprovar em plenário. Não tem nova, nem velha política. É uma política pra atender o interesse do Brasil e dos parlamentares.

A entrevista concedida pelo presidente seria parte de uma estratégia elaborada pelo governo que tem o objetivo de explicar para a população o que é a reforma da Previdência. Conforme antecipou a colunista Bela Megale, serão feitas ações de merchandising com artistas contratados, como Luciana Gimenez. O presidente deve ir a programas de auditório para convencer o telespectador da necessidade das mudanças na aposentadoria.

O presidente procurou esclarecer os pontos básicos do texto. Lembrou, por exemplo, que as regras para quem já está aposentado não serão alteradas:

— Por essa proposta quem está contribuindo pelo teto, o limite está em R$ 6 mil. Então, todo mundo vai se aposentar com esse valor. Quem é aposentado não se mexe em nada. E outra coisa: tem um prazo de transição de 12 anos. Com essa economia sobra dinheiro pra investir em educação, segurança, e daí vem emprego — concluiu.

O presidente também falou sobre a dificuldade as contas públicas e o contingenciamento no orçamento. Ele rebateu críticas que o governo tem recebido por cortes no orçamento de universidades e disse que pode tirar mais recursos de instituições que formem o que chamou de “militantes”.

— Para algumas universidades que formam militantes apenas, talvez o corte seja um pouco maior — disse Bolsonaro.

Ele ainda voltou a falar da taxa de desemprego e estima que o número real de pessoas sem postos de trabalho seja quase o dobro dos 13 milhões divulgados oficialmente.

— Quando eu falo o IBGE me critica. São muito mais que 13 milhões de desempregados. Eu calculo 25 milhões. A pesquisa não pega todos. O custo da mão de obra é caríssima. O salário é pouco para quem recebe e muito para quem paga — disse.

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Reinhard Allan Santos