14 abr 2019

1∞ Dias. 1∞ Governo. 1∞ Futuro? O Fato da Semana.

Por Henrique Barbosa e equipe do blog

O presidente Jair Bolsonaro comemorou (???) 100 dias de governo (???) juntamente com a sua equipe (???). Talvez por não ter o que brindar, o presidente disparou a sua metralhadora verbal e atirou para tudo quanto é lado, produzindo verdadeiras pérolas (farto material para os humoristas) políticas e comportamentais.

Eleito pela insatisfação e a desesperança da população em geral, o novo (???) presidente relembra (assim como num ciclo temporal) um velho político com trajetória semelhante. No início da década de 1960 o Brasil vivia um momento delicado na sua política. Um presidente popular, querido e que havia feito um governo marcante, havia recém deixado o poder com altos índices de aprovação e popularidade. Os seus adversários logo trataram de bombardeá-lo na véspera das eleições, procurando a todo custo deslizes e desmandos que maculassem a sua pessoa e a sua gestão.

Na área dos costumes o rock´n´roll produzia revoluções na juventude, as beatas e beatos estupefatos tentavam a todo custo preservar a sua sacrossanta hipocrisia deixando tudo do jeito que sempre foi, sem dar brecha para o Diabo dominar e engolir as almas quase salvas pelos seus delírios religiosos/dogmáticos de salvação eterna.

Por outro lado, a política produzia um demônio ainda maior, que além de roubar a propriedade privada do cidadão e das empresas, comia, pasmem, o fígado de criancinhas. Essa ameaça tornou-se exponencial após a II Guerra Mundial e dividia inapelavelmente o mundo em dois, através de uma cortina de ferro costurada, cerzida e forjada na ignorância das pessoas: O PERIGO COMUNISTA.

Jânio Quadros um obscuro e quase desconhecido professor de português ofereceu-se à imolação para purgar a nação e salvá-la do nefasto mal que se instalara para acabar com a tradição, a família, a propriedade e os costumes. Ele estava com Deus e Deus estava com ele.

Ganhou surpreendentemente e sinalizou com uma nova era, um novo mundo cheio de esperança e de virtudes. Governava com bilhetinhos manuscritos, os quais mandava e desmandava, admoestava e dava pitos nos subordinados, mudava as regras de comportamento e de postura, proibindo até o uso do imoral e endemoniado do maiô de duas peças (biquini) que as moçoilas despudoradas ousavam vestir (ou seria desnudar?), inaugurando assim uma forma rudimentar de twitter.

Do alto da sua gabolice cristã, moral e política, Jânio não queria se misturar com a maioria dos políticos bestiais que tomavam conta do Congresso, ele tinha a impressão que o voto do povo e a sua escolha por Deus, lhes daria autoridade para mudar tudo.

Foram-se os bilhetes, foi-se a gabolice e junto foram os costumes e as nossas liberdades básicas. Os comunistas não vieram, os fígados das nossas criancinhas permaneceram intactos, as propriedades privadas intocadas e a fé do povo imaculada. O efeito colateral desse amargo remédio foi um Governo não eleito democraticamente (não posso usar a palavra ditadura) que passou um quarto de século, após conquistar (não posso falar “após dar um golpe”) o coração e a alma do povo brasileiro, cuja duração seria curta (conforme o desejo do seu primeiro mandatário) e que começou a ser desmanchado pelas mão do seu penúltimo “eleito”, que queria porque queria uma distensão lenta e gradual que culminasse com a normalização institucional do País. O General Ernesto Geisel sabia que as Forças Armadas haviam promovido um golpe sim, assim como o Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco também, e ambos se incomodavam com aquela situação excepcional e constrangedora para os verdadeiros militares que tinham consciência do seu papel constitucional e da sua importância para a nossa combalida Nação.

Nesta semana em que completa 100 dias de poder o presidente Jair Bolsonaro pouco ou nada tem para comemorar e muito a lamentar. Montou uma equipe de governo sem nenhuma sintonia com a realidade do mundo, colocando quadros despreparados em pontos nevrálgicos estratégicos para qualquer gestão pública. Escolheu um verdadeiro time de ALOPRADOS TRAPALHÕES.

GUSTAVO BEBIANNO — Foi o meteórico Secretário-Geral da Presidência da República e teve um papel relativamente importante durante as eleições. Não postulou nenhum cargo eletivo em 2018 e mesmo assim foi degolado no escândalo dos laranjas do PSL (partido do presidente da república), já o Ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio, que está envolvido até o último bagaço nessa porcalhada, continua prestigiado por Jair Bolsonaro, mesmo que Janaína Paschoal venha estrebuchando contra ele nas mídias sociais. Terá o presidente o rabo preso com o dono do laranjal Luciano Bivar? Bebianno foi a primeira vítima dos bilhetinhos repaginados de Jânio, ou melhor, de Jair? Será a última? O presidente que não é afeito ao diálogo, nem tampouco ao enfrentamento direto das suas pendengas, incumbiu o seu filho Carlos de defenestrar (ou pelo menos iniciar o processo de fritura pública) de Gustavo do Governo e da vida pública e este o fez com toda a pompa e circunstância que um barraco de verdade requer, inclusive chamando o defenestrado de mentiroso (fato que ficou provado ser mentira).

DAMARES ALVES — É a atual Ministra de Estado da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Polêmica, caricata e por que não dizer mentirosa? Afinal ela mentiu ao dizer que tinha mestrado, quando nunca o teve. Desculpou-se dizendo que na sua fé isso era normal (o quê? mentir?) e que todos os pregadores eram considerados mestres. Talvez mentir seja uma palavra um tanto forte para ser dirigida a uma autoridade, concordo. Digamos então que a ministra é ingênua e ignorante. Talvez ela não saiba que ocupa uma pasta em um governo dito cristão, que comanda um Estado CONSTITUCIONALMENTE LAICO, o que, portanto, deveria inibi-la de misturar as coisas do Estado com as coisas da sua igreja. Outro fato a ser anotado na biografia da eminente ministra, que já subiu no olho de uma goiabeira para falar com Jesus, é o episódio da masturbação infantil praticada na Holanda, que, sabe-se lá de onde ela tirou e disseminou como verdade absoluta. Registre-se também a célebre frase “MENINA VESTE ROSA. MENINO VESTE AZUL” proferida por ela pouco antes de ser flagrada num shopping center de Brasília vestindo uma blusa azul. Digno de registro também é a não explicação convincente para a nebulosa adoção (segundo membros da tribo, sequestro) para a sua filha Lulu Kamayurá, que saiu da tribo “para comprar cigarros”…

MARCELO ÁLVARO ANTÔNIO — Esse será apenas uma laranja podre no meio de uma cesta cheia? Será que mesmo depois da denúncia feita pela deputada eleita pelo PSL de Bolsonaro e Marcelo, Alê Silva, que inclusive relata ameaça de morte, o ministro continuará voando em céu de brigadeiro? Presidente cadê o twitter? O senhor sofre de CITROFOBIA (pra quem não sabe, citrofobia é o pavor a laranja, não importa se a fruta ou a figura de linguagem)?

RICARDO VÉLEZ RODRÍGUEZ — Figura emblemática desse desgoverno, o agora ex-Ministro Ricardo Vélez protagonizou capítulos explícitos de canibalismo político. Era um tal de OLAVISTAS querendo comer o fígado de MILITARES e não OLAVISTAS e um vice-versa sem fim, que culminou com a precoce saída tardia de um CHACRINHA as avessas que se trumbicava sem se comunicar. O colombiano ex-ministro conseguiu ser patético, inoperante e desastroso na sua curta e quase interminável gestão. Não agradou ninguém. Quem era contra ficou ainda mais contra e quem era a favor fingiu normalidade ante a sua destrambelhada saída. No seu lugar entrou um economista denominado doutor e que não tem doutorado, que comprovadamente deve saber economizar, mas será que ele saberá gastar os recursos do MEC com competência e sabedoria, fazendo a educação melhorar.

O cartão de visitas já foi mostrado: A EDUCAÇÃO NO LAR! Será que na sociedade moderna os pais farão o papel de preceptores a contento, ou deixarão os seus rebentos nas mãos das suas secretárias do lar, diaristas e/ou faxineiras? Uma coisa é certa: eles não estarão lá para isso, uma vez que as suas atividades profissionais não permitem tal acúmulo de função. Pensando melhor, será que os nossos mandatários apostam no aumento da taxa de desemprego? Se isso acontecer, Glória a Deus!, o que não faltará são pais se dedicando ao bê-a-bá domiciliar e familiar. Alvíssaras! Novas gerações de SEU CRAYSSON SURGIRÃO PARA “APRESENTIÁ SUAS POPROSTIAS PARA ARRESOLVER O POBREMA DA INDUCASSÃO NO BRASIL.”, cantando o nosso hino e filmando tudo, para que todos vejam os nossos “avanssos” na “inducassão bazica”.

NÃO HOUVE GOLPE! NÃO HOUVE DITADURA! NÃO HOUVE FUZILAMENTO! — Pelo visto o presidente Jair Bolsonaro tem uma imensa dificuldade em lidar com o verbo HAVER, pois toda vez que ele o utiliza as suas frases vêm precedidas por um NÃO, que como todos sabem é um advérbio de negação, coisa que o nosso estimado presidente parece desconhecer. Ora, se o golpe/ditadura deixou constrangidos o Marechal Castelo Branco e o General Ernesto Geisel, que tinham plena consciência da anormalidade institucional e constitucional daquilo que promoviam, sempre deixando clara a necessidade da normalização política o mais urgente possível. Então, se aquilo não foi um regime de exceção, por que a grande maioria sensata e ciente do seu papel institucional enquanto membros das Forças Armadas, contava nos dedos os dias para encerrar aquela intervenção um tanto desastrada? Ora senhor presidente Jair Bolsonaro, esses membros importantes e com papel destacado na História do Brasil, sabiam que o ônus da má e tenebrosa condução do País não deveria recair nos seus ombros. Eles tinham, assim como muitos dos membros atuais têm, a verdadeira noção do papel fundamental que a INSTITUIÇÃO a que eles pertencem e fazem, tem na vida de um País FORTE e SOBERANO. O papel das Forças Armadas é garantir a normalidade institucional e isso ela faz muito bem.

Presidente não cabe ao Exército exercer papel de polícia. Não cabe ao Exército ir às ruas para combater traficante, trombadinha e miliciano. Os nossos soldados não são preparados para isso. Se o senhor quiser o Exército enfrentando bandido à luz do dia, num ambiente urbano movimentado e cheio de civis inocentes, declare o tráfico, os milicianos e os bandidos como criminosos de estado, conferindo a eles o status de terroristas. Faça isso através de MP, de PEC ou Decreto Lei. Dê às Forças Armadas poder e tempo para treinar suas tropas, tempo para planejar e montar estratégias de combate eficazes, que não ponham em risco tantas vidas e o senhor vai ter outro resultado, garanto que será o que a sociedade espera, caso contrário presidente membros do nosso valoroso Exército irão sim FUZILAR INOCENTES.

De nada adiantarão as suas pueris negativas, os seus posts descabidos e vazios, se o senhor não começar a querer entender o verdadeiro clamor das ruas. Se o senhor teima em não querer enxergar erros onde eles realmente existem, o senhor nunca buscará soluções para aquilo que o senhor crer estar solucionado.

ERNESTO ARAÚJO, OH MY GOD, FORGIVE BRAZIL! — Esse é um dos mais destacados e brilhantes membros dos ALOPRADOS TRAPALHÕES instalados em Brasília. O sonho de consumo dele é ser louro, falar inglês, ser republicano e ter um topete igual ao do seu ídolo maior: o PATO DONALD TRUMP!

A sua mais recente e brilhante sacada foi a de determinar que o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP) pertenceu a um movimento, pasmem, de esquerda. Voilà!  O mundo amanheceu mudado, uma nova era histórica se anuncia: HITLER ERA SOCIALISTA QUEM NEM MARX! Talvez embasado nas opiniões e estudos do ideólogo mor bolsonariano, no caso o conceituado astrólogo de plantão Olavo do Carvalho (um misto de Walter Mercado com Rasputin), que já leu o Pequeno Príncipe (considerou o Príncipe de Maquiavel esquerdopata demais), adora Max (os irmãos) e detesta Marx, que age como se tivesse a cara de Brad Pitt e no entanto é o reflexo da cara de Marcos Oliveira, o Beiçola da Grande Família. O nosso chanceler afirma categoricamente que se um partido tiver no seu nome as palavras: SOCIAL ou SOCIALISTA, não tem escapatória, É DE ESQUERDA. O partido de Hitler tinha SOCIALISTA, assim como o de BOLSONARO tem SOCIAL… Bolsonaro, está provado, é de esquerda!

ALEXANDRE FROTA, MARCOS FELICIANO, SILAS MALAFAIA, MAGNO MALTA, DOUGLAS GARCIA, FABRÍCIO QUEIROZ, CRIVELLA, WITZEL, FERNANDO BEZERRA COELHO, LUCIANO BIVAR E OS MILICIANOS CARIOCAS — Fica bastante claro que Jair Bolsonaro está 1∞ apoio, 1∞ credibilidade e 1∞ forças para muda isso daí. Fica claro que a liberalidade dele não tem coragem de provocar os caminhoneiros, preferindo ir de encontro ao mercado e a PETROBRAS, do que enfrentar uma greve sem nenhuma arma em punho, afinal o twitter não resolve uma parada dessas.

Bom, lá se vão 1∞ dias. O carnaval passou e a população começa a perceber que a fantasia de esperança que ela vestiu se esvaiu. O Brasil não consegue se mover. Surpreendentemente, ou não, o Brasil desaprendeu a dialogar. O Congresso não tem nem voz e nem vez junto ao governante que passou quase trinta anos batendo ponto na casa e pelo visto, nada aprendeu por lá. Resta-nos: rezar (para os católicos), orar (para os protestantes), fazer preces (para os espíritas), promover cultos e oferendas (para as religiões de matriz africana), simplesmente apelar à Deus (para os agnósticos) ou coçar a cabeça, relaxar e gozar (para os ateus e incrédulos de todas as matizes, para que uma luz recaia sobre a cabeça do presidente eleito e o faça a começar urgentemente o cumprimento do seu mandato, sem bravatas, sem mídias sociais, sem rancores e sem agressões descabidas. Que o presidente seja de fato ungido e perceba que o nascedouro de todos os problemas atuais da nação estão incubados lá no Palácio do Planalto e circunvizinhanças, e não nas ruas, afinal o povo que o elegeu ainda acredita nele como possibilidade concreta de mudança, de guinada, embora perceba que houve uma guinada de 360°, ou seja: tudo mudou radicalmente para a mesma coisa… Se o pior acontecer, vamos pedir encarecidamente a Deus para que Mourão seja o Castelo Branco do nosso Jair travestido de Jânio.

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Reinhard Allan Santos