4 jan 2019

Geraldo Julio descarta armar Guarda Municipal.

Porte de armas é uma demanda da categoria, mas o prefeito diz que o papel dos guardas é preventivo, não ostensivo, como o dos policiais.

Por: Aline Moura – Diário de Pernambuco

Geraldo Julio também fala do boicote que, segundo ele, Paulo Câmara teria sofrido do governo Temer. Ele espera que a gestão de Bolsonaro não faça o mesmo. Foto: Carlos Eduardo/divulgação

Geraldo Julio também fala do boicote que, segundo ele, Paulo Câmara teria sofrido do governo Temer. Ele espera que a gestão de Bolsonaro não faça o mesmo. Foto: Carlos Eduardo/divulgação

Diferentemente do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que surpreendeu até os aliados e prometeu liberar a posse de armas por decreto para atender à demanda de qualquer pessoa sem antecedentes criminais, o prefeito Geraldo Julio (PSB) usou um categórico “não”, nesta quinta-feira (3), ao rejeitar a hipótese de a Prefeitura do Recife usar recursos públicos para comprar armas para os guardas municipais. “A prefeitura não vai comprar duas mil pistolas para distribuir com guardas municipais. A Guarda Municipal tem papel fundamental de cuidar dos parques, das praças, de preservar o patrimônio. E a guarda do Recife faz isso muito bem”, disse, sem deixar dúvidas no que pensa. “Cada um na Constituição tem o seu papel: a Polícia Federal, as polícias estaduais. A guarda e as prefeituras têm papel de prevenção”, acrescentou.

O prefeito falou sobre o assunto em entrevista à Rádio Jornal, em Geraldo Freire, negando uma demanda da categoria que gera polêmica na sociedade – a maior parte dos estudiosos diz que mais armas só gera mais violência. O mesmo tom incisivo, contudo, não foi usado quando o prefeito foi questionado sobre o nome que apoiaria para a disputa municipal em 2020, ano em que não poderá concorrer mais à reeleição. Indagado se preferia o deputado federal Felipe Carreras ou João Campos, respectivamente quadros do PSB, para indicar na sucessão, ele desconversou, não deu pistas de preferência. Disse que a relação com Felipe era “excelente” – embora existam rumores em diferentes. E ainda destacou que, apesar de João Campos não ter aceitado ser secretário estadual, a decisão não o retira da disputa.

Geraldo Julio demonstrou que, mesmo sem ser candidato a prefeito, não vai abrir mão de querer fazer o sucessor. Ele afirmou que, neste ano, a prefeitura entregará várias obras em andamento, algumas em atraso. Ele citou o Ginásio Geraldão, o Teatro do Parque, a repaginação da Avenida Conde da Boa Vista, a construção do Hospital do Idoso, bem como a retomada das obras da ponte do Monteiro. Todas as obras fizeram parte de sua campanha no ano de 2016, quando se reelegeu.

O gestor aproveitou para alfinetar os adversários do governador Paulo Câmara, sem citar nomes. Ele mencionou que ex-ministros de Michel Temer (MDB) se preocuparam mais em atrapalhar a gestão de Paulo Câmara do que cumprir o papel de executivos. Ele disse, no entanto, não acreditar que Bolsonaro siga o mesmo ritmo, de boicotar os adversários. “Espero que esse governo não atue desse jeito. O novo governo não tem demonstrado que vai fazer esse tipo de jogo. O governo de Temer fez isso”, disse. “Alguns daqueles ministros se perderam na política eleitoral. Em vez de cuidar das suas atividades como ministros estavam tentando atrapalhar o governador Paulo Câmara. Deveriam ter feito muito mais pelo estado”, completou. O prefeito se referiu, de forma indireta, aos deputados federais Mendonça Filho (DEM) e Bruno Araújo (PSDB) e Fernando Filho (DEM). Ele sempre poupa Raul Jungmann (PPS), que foi ministro da Defesa.

O socialista defendeu, ainda, o posicionamento do governador Paulo Câmara, que reiterou, na posse dos secretários, ser contra a privatização da Eletrobras, que tem subsidiárias como a Chesf. Para ele, a privatização “representaria aumento da conta de luz para a indústria de Pernambuco e os pernambucanos”, conforme frisou.

Para o prefeito, ainda não chegou o momento de os governadores do Nordeste procurarem o governo Federal, uma vez que os novos titulares do primeiro escalão estão absorvendo informações, tomando pé da situação. Ele negou, inclusive, haver algum tipo de enfrentamento dos gestores da região. “A ação conjunta dos governadores do Nordeste é importante e as ações administrativas devem ser tratadas administrativa, normalmente, como deve ser. Isso vai ser uma agenda normal. Não tem um enfrentamento da região Nordeste com o novo governo. O presidente está aí eleito democraticamente pelas urnas”, afirmou. “Não vejo como boicote a não ida à posse, os governadores estavam tomando posse também”, pontuou.

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Reinhard Allan Santos