3 jan 2019

MPPE entra com ação contra vereadora do Recife por discriminação religiosa.

Para o promotor, a postagem realizada por Michele Collins contribui para a apologia ao ódio religioso, favorecendo a discriminação e a prática de crimes e outras formas de violência contra as religiosidades, seus praticantes e adeptos.

O promotor Westei Conde cita, ainda, o documento “Intolerância Religiosa no Brasil: relatório e balanço”, que aponta que as religiões de matriz afro-brasileira são as que mais sofrem com práticas discriminatórias, com cerca de 71% do total de casos.

Em fevereiro de 2018, um inquérito civil foi instaurado pela Promotoria de Justiça e Direitos Humanos para apurar o fato. No dia 2 de março de 2018, a missionária foi ouvida pelo Ministério Público e afirmou que fez a publicação “no exercício de sua fé”, mas que não teve a intenção de ofender outras religiões. O G1 tenta contato com a vereadora.

Entenda o caso

No dia 4 de fevereiro, a vereadora Michele Collins publicou, em sua página oficial no Facebook, uma mensagem em que diz que “estaria clamando e quebrando toda maldição de Iemanjá lançada contra nossa terra em nome de Jesus”. O texto vinha acompanhado de uma foto que mostra várias pessoas em uma praia.

A postagem da parlamentar, já deletada de suas redes sociais, se referia ao evento “Noite de Intercessão no Recife, orando por Pernambuco e pelo Brasil” realizado na orla de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.

Um dia depois da postagem, a vereadora divulgou uma nota de desculpas. “Diante do exposto sobre uma postagem realizada em suas redes sociais, a vereadora missionária Michele Collins esclarece que em nenhum momento teve a intenção de ofender ou propagar qualquer mensagem de ódio religioso. Todos sabem que a missionária é veementemente contra qualquer intolerância religiosa, inclusive já deletou a postagem de suas redes sociais, diante dessa falha na elaboração do texto. A vereadora missionária Michele Collins pede desculpas aos que se ofenderam”, dizia o texto.

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Reinhard Allan Santos