8 nov 2018

Titular de delegacia de combate à corrupção recusa gestão adjunta de departamento contra crime organizado.

Segundo Humberto Freire, Patrícia Domingos demonstrou “desinteresse” em assumir a direção adjunta do Draco.

“Seria uma função de diretoria adjunta desse departamento, exatamente com a possibilidade de dar as diretrizes, compartilhar a expertise adquirida pela delegada, mas ela demonstrou desinteresse em assumir essa função e agora caberá à chefia de polícia conversar com ela para saber onde melhor será o trabalho dela”, disse.

A delegada Sylvana Léllis, que ajudou a criar o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), e que desde 2009 era responsável pela Academia de Policiais Civis, assume o cargo de chefe do Draco.

“A construção do departamento é positiva para que a gente aperfeiçoe o trabalho que já vinha sendo bem feito no estado, claro, de maneira menor, porque era uma delegacia e agora, no nível de departamento, a gente acredita que a gente pode fazer muito mais”, disse Sylvana.

Ainda segundo Sylvana, o Draco aperfeiçoa o combate à corrupção. “Esse nicho de atuação das polícias civis federais surgiu há pouco tempo, não existia uma investigação aprofundada. Faz parte da agenda nacional das polícias se aperfeiçoar no combate e nós somos, antes de tudo, sociedade. Precisamos ter eficiência nesse tipo de investigação e acho que isso foi uma grande oportunidade”, complementou.

A Polícia Civil anunciou que, nesta quarta-feira (7), o projeto com a estrutura do departamento foi finalizado e seguiu para ser assinado pelo governador. O órgão vai ter mais de 100 funcionários, 14 delegados e seis delegacias especializadas, sendo duas delas de combate à corrupção.

Ainda não há um prazo específico para que o departamento comece a funcionar. Ainda é preciso realizar o inventário das delegacias extintas, para levantar informações como os materiais apreendidos que estavam nelas e quais as investigações que estavam em curso. De acordo com a Polícia Civil, os trabalhos dos investigadores não serão paralisados durante a transição para o Draco.

Também fazem parte do novo departamento as Delegacias contra a Ordem Tributária (Deccot), Repressão aos Crimes Cibernéticos (DPCRICI), de Polícia Interestadual e Capturas (Polinter) e o Grupo de Operações Especiais (GOE).

Projeto foi enviado em regime de urgência para a Assembleia Legislativa de Pernambuco — Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press

Projeto foi enviado em regime de urgência para a Assembleia Legislativa de Pernambuco — Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press

Tramitação na Alepe

Enviado pelo governador Paulo Câmara (PSB) à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), o projeto de lei para criação do Draco tramitou em caráter de urgência e foi aprovado em primeira e segunda votações. Na segunda (5), a maioria dos parlamentares aprovo a redação final do projeto de lei, que seguiu para sanção do poder executivo estadual.

O presidente da Associação dos Delegados de Polícia de Pernambuco, Francisco Rodrigues, estranhou o fato de o projeto de lei ter sido remetido à Alepe em “regime de urgência”. Parte dos deputados também criticou a forma como o projeto foi apresentado.

Delegacias extintas em números

Extinta pelo projeto de lei, a Decasp foi responsável, nos últimos quatro anos, por 15 operações que resultaram em 49 presos, entre políticos e empresários envolvidos em esquemas de corrupção que, juntos, superam R$ 150 milhões. Com o risco da extinção da delegacia, o Ministério Público havia assumido uma das investigações, que avaliava denúncias de desvio de verba para merenda escolar.

Entre 2012 e 2015, segundo informações publicadas no site da Polícia Civil de Pernambuco, a delegacia especializada retirou 1,3 milhão de produtos falsificados de circulação, o que gerou uma estimativa de R$ 26 milhões em apreensões. O desempenho da delegacia gerou reconhecimento nacional e internacional, como o recebimento de uma honraria da Embaixada Americana.

Rhass

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Henrique Barbosa