20 jan 2015

Delgado evita comentar denúncia de Cunha; Chinglia critica estratégia.

O candidato do PSB à Presidência da Câmara dos Deputados, Júlio Delgado (MG), não quis comentar a denúncia feita pelo seu oponente do PMDB, deputado Eduardo Cunha (RJ). “Não vou polemizar com o concorrente”, respondeu Delgado, que embarcava de Brasília com destino a Belém, onde tem compromisso de campanha.

Nesta manhã, o peemedebista convocou os jornalistas para dizer que fora vítima de mais uma “farsa” criada para prejudicar sua candidatura ao comando da Casa. Cunha contou que foi procurado por um suposto policial federal dizendo que a cúpula da Polícia Federal estaria orquestrando uma “montagem” para envolvê-lo em denúncias de forma a prejudicar sua campanha.

O deputado apresentou um áudio que seria de uma escuta telefônica. Um dos homens reclama que Cunha está “se dando bem”, pois será presidente da Câmara, mas que o Ministério Público está pressionando-o e que não segurará a denúncia, que jogará “a merda no ventilador”. “Os amigos dele estão sendo esquecidos”, ataca o interlocutor. No diálogo, o suposto “aliado” de Cunha diz que não será abandonado e que não ficará sem dinheiro.

Chinaglia

O candidato a presidente da Câmara dos Deputados Arlindo Chinaglia (PT-SP) aproveitou para criticar na tarde desta terça a estratégia adotada por Cunha, que, de acordo com o petista, protagonizou uma tentativa de virar candidato tanto da base do governo quanto da oposição. “Não funcionou”, disse Chinaglia, questionado por jornalistas.

“Qual foi o movimento feito pelo candidato Eduardo? Ele virou digamos o porta-voz do ‘fora PT’. Ele falou: ‘Pode ser qualquer um, menos o PT’. E eu não sei se o PMDB tem tanta autoridade assim para criticar todo e qualquer partido. Na minha opinião, não”, revelou.

Chinaglia reconheceu que o fato de o PMDB ter divisões internas fez com que, na eleição de outubro, alguns Estados não apoiassem a candidatura à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) e do vice-presidente Michel Temer – foi o caso do próprio Rio Grande do Sul, onde boa parte do PMDB trabalhou pela candidatura de Marina Silva (PSB) e, no segundo turno, Aécio Neves (PSDB). Mesmo assim, Chinaglia defende que não é possível o PMDB, no nível nacional, fazer oposição tendo a vice-presidência e seis ministérios na atual configuração do governo Dilma.

Chinaglia também afirmou que não está seguro de que ganhará no primeiro turno a disputa para a presidência da Câmara, mas que pretende estar no segundo turno. Sobre um possível acordo com seu outro adversário, Júlio Delgado (PSB), revelou: “Eu e Júlio temos tido uma relação muito boa. Não há acordo, mas, se o Júlio for para o segundo turno, eu apoio o Júlio.”

A afirmação reforça a percepção de que uma ala do PT prefere a Casa seja comandada por um deputado da oposição, como Delgado, do que pelo governista Cunha.

Estadão Conteúdo

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Aurino Rosendo