26 jun 2014

Copa é um sucesso, apesar do trânsito e dos preços.

As percepções sobre o Brasil variam entre jornalistas brasileiros e estrangeiros, mas o consenso é que depois dos tão falados “Não vai ter Copa” e “Imagina na Copa”, o campeonato está sendo um sucesso – apesar de problemas de locomoção e preços mais salgados. “Está tendo muita Copa” é frase presente nas rodas de conversa de jornalistas que acompanham os jogos da seleção brasileira.

“O Brasil é um país muito desenvolvido”, diz o jornalista camaronês Ignatius Foneche Kiye, da rede de televisão CRTV. Para o camaronês, que viajou por Vitória, Natal, São Paulo, Rio e Brasília, a infraestrutura do país é boa e a economia, forte. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil em 2012 era de 0,730, enquanto em Camarões, de Foneche Kiye, era de 0,495. Quanto mais próximo de 1 é o indicador, mais desenvolvido é o país.

Apesar da qualidade dos nossos serviços, as longas distâncias entre as cidades envolvidas na Copa atrapalham o trabalho de Foneche Kiye. “Perdemos vários ‘furos’ por causa disso”, diz ele, usando a expressão que define uma notícia exclusiva. “Até você chegar onde está a seleção, já perdeu um monte de coisa, porque eles viajam em um esquema exclusivo e rápido, enquanto nós temos que fazer o caminho tradicional e pegar filas.”

Esta é a quinta Copa do Mundo que Foneche Kiye participa da cobertura. Seu currículo tem França (1998), Coreia do Sul e Japão (2002), Alemanha (2006) e África do Sul (2010). Entre as mudanças de um país a outro, chamou sua atenção a necessidade de levar computadores para a sala de imprensa nos estádios; na África do Sul, havia PCs disponíveis, afirma.

Alex South, da britânica BBC, e Shinji Yamamuchi, da TV japonesa NHK, estão cobrindo a Copa pela primeira vez. A única reclamação de South é sobre o trânsito pesado em São Paulo. Para Glória Bejarano, repórter do jornal “El Espectador”, da Colômbia, os problemas são: locomover-se pelo Rio, já que ela está hospedada na Barra da Tijuca (zona oeste) e a Copa fica concentrada na zona sul e no centro, e os altos preços.

No geral, os jornalistas estrangeiros dizem que o brasileiro é um povo solícito e atencioso. Isso, segundo eles, facilita na hora de resolver os vários problemas de comunicação que enfrentam.

A variação climática também surpreende os jornalistas. “Estou escrevendo sobre como o frio pegou os brasileiros. Você está até de luvas!”, disse, aos risos, um jornalista austríaco à reportagem do Valor no dia do jogo de Uruguai x Inglaterra, no Itaquerão, em São Paulo. Naquela quinta-feira, a temperatura estava em 15º, com umidade do ar em 82%. Jornalistas europeus usavam bermudas, camisetas e um estava de chinelos. “Para nós isso é um tempo ameno. Lá em Porto Alegre estava um pouco frio”, disse o austríaco. (Colaborou Renata Batista, do Rio)

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Henrique Barbosa