26 jun 2014

Adesões garantem a Dilma quase metade do tempo de TV.

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Dilma: presidente terá adversário, Aécio, com menos espaço que Serra em 2010
Embora tenha sido levada a ceder em aspectos que antes considerara fora de cogitação, como a troca de comando no Ministério dos Transportes, o saldo do periodo das convenções, que se encerra na segunda-feira, 30, é favorável à candidatura da presidente Dilma Rousseff à reeleição.

Algumas das decisões tomadas ontem ainda estão sub judice ou sujeitas à homologação das cúpulas partidárias, mas é certo que Dilma conseguirá repetir uma coligação com o mesmo número de partidos que reuniu há quatro anos: dez, incluindo o PT.

Os acertos de última hora que permitiram à presidente segurar o apoio de partidos como o PR, o PP e o PSD, por exemplo, garantem para a aliança de Dilma algo entre dez e 12 minutos de tempo no horário de propaganda eleitoral no rádio e televisão, que começa no dia 15 de agosto – o tempo definitivo só pode ser calculado quando for conhecido o número exato de candidatos a presidente.

Esse era o objetivo central. Para a campanha, é fundamental dispor de espaço de mídia para mostrar o que o PT já fez e falar das possibilidades de um novo mandato de Dilma. A meta declarada era alcançar mais de 12 minutos, frustrada com a deserção de última hora do PTB para apoiar o candidato do PSDB, senador Aécio Neves. Mas no cômputo geral, Aécio terá menos tempo de TV, em 2014, do que José Serra teve em 2010.

Por esse motivo o governo cedeu à bancada do PR na Câmara dos Deputados e mudou o comando do Ministério dos Transportes. Dilma tirou César Borges, que era hostilizado pela bancada, mas deve nomear para o cargo o ex-ministro Paulo Sérgio Passos, que não é propriamente o nome dos sonhos dos deputados. Agora espera que a Executiva nacional do PR confirme a aliança, no dia 30, para assegurar pouco mais de um minuto ao tempo da coligação.

Não há um grande vencedor no PR, partido ainda hoje controlado da prisão pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto, um dos condenados no julgamento do mensalão. Mas há no PSD do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab. Apesar de a maioria das seções do PSD se alinhar na campanha do tucano Aécio Neves, Kassab conseguiu que quase 95% do partido apoiasse a aliança com a presidente da República. Dilma elogiou o empenho de Kassab para cumprir a palavra de apoio prometida; o ex-prefeito será importante num eventual segundo mandato da presidente da República.

O mesmo pode ser dito em relação ao senador Ciro Nogueira (PI), que num golpe de mão conseguiu remeter a decisão do PP para a Executiva nacional do partido, onde os governistas são majoritários. O PP está irremediavelmente rachado, mas o que importa para o comando da campanha da presidente é o tempo de propaganda partidária. Os conflitos regionais serão tratados pontualmente. Essa é a razão pela qual a campanha de Dilma também trata com desdém as defecções no PMDB.

O que importava para a presidente, em relação ao PMDB, era o tempo de propaganda eleitoral. Segundo um integrante da campanha da presidente, as deserções entre os pemedebistas estavam todas “precificadas” desde antes da convenção do partido, realizada no dia 10.

A mais importante delas, no Rio de Janeiro, será combatida com o reforço da posição do prefeito do Rio, Eduardo Paes. O governo deve “cacifar” Eduardo Paes, que lidera os prefeitos dos principais colégios eleitorais do Rio que têm candidatos distintos ao governo estadual, mas no plano nacional estão com a presidente Dilma.

A receita é a mesma para o Ceará, onde o senador e candidato ao governo estadual Eunício Oliveira (PMDB) deve se aliar com o candidato do PSDB: o palanque de Dilma está montado, será o do governador Cid Gomes.

Hoje a Executiva nacional do PT faz uma reunião em São Paulo para tomar decisões sobre o apoio a aliados em alguns Estados ainda pendentes. No Maranhão, o PT já decidiu fechar com a candidatura do senador Lobão Filho (PMDB), o nome da família Sarney para tentar manter a hegemonia do grupo no Estado.

Entre várias outras decisões, o PT também deve designar uma comissão de quatro integrantes para atuar junto ao comando de campanha da presidente da República

 

Valor

 

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Henrique Barbosa